A desacreditada Organização dos Estados Americanos está realizando desde ontem, em Lima, uma reunião para debater a segurança regional. Mais especificamente, a compra de armamentos por parte de alguns dos países membros, fato que estaria gerando preocupações em visinhos. Assim, por exemplo, o Peru reclama que o Chile, com quem mantém uma disputa por limites marítimos na Corte de Haia, está se armando muito. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisas da Paz, organismo sediado em Estocolmo, o Chile gasta pouco mais de 3% de seu PIB em armamentos, o que se constitui no segundo maior gasto relativo da região, sendo o primeiro a Colômbia. Não surpreende o fato de a Colômbia ser o primeiro gasto, tendo em vista que o país enfrenta há quase meio século a guerrilha das Farc e do ELN, e tem recebido substancial ajuda dos EUA. Aliás, o chamado Plano Colômbia, de auxílio ao combate ao narcotráfico, já derramou no país 6,2 bilhões de dólares desde 2002. Em termos absolutos, quem lidera os gastos regionais, segundo o Instituto, é Brasil com 26,2 bilhões de dólares em 2009, o que representou um aumento de 16% em relação ao ano anterior. Vê-se, portanto, que não chega a aparecer nos números da instituição a Venezuela, que vem fazendo significativas compras de armamentos da Rússia.
Por trás dessa questão armamentista está o interesse dos EUA, que queriam aprovar no encontro um texto que fala no “direito de autodefesa coletiva”, o que significa que se um país for atacado, seus aliados têm o direito de responder como se também fossem atacados. O texto não passou, porque foi visto como uma tentativa de ingerência dos EUA, que poderia aproveitar, por exemplo, algum incidente com a Colômbia para promover uma ação militar na região. Vê-se, pois, que os EUA já não têm mais a mesma facilidade de tempos atrás para impor a sua vontade na região.