A ONU está por votar a qualquer momento uma nova rodada de sanções ao Irã, por causa do seu programa nuclear. Quem está liderando este movimento, evidentemente, é o governo americano, que espera contar com as adesões da Rússia e da China, dois tradicionais aliados de Teerã. Na contraposição estão Brasil e Turquia, que conseguiram um acordo com o Irã, e mais o Líbano que resolveu aderir.
Segundo consta, o documento a ser votado reconhece o esforço de Brasil e Turquia por uma solução negociada, mas reafirma que o Irã precisa responder às preocupações da ONU quanto ao seu programa nuclear. Preocupações estas que se referem à disposição de o Irã, mesmo mandando parte de seu urânio para ser enriquecido fora, continuar a enriquecer uma certa quantidade do produto internamente. A resolução, que deve ser aprovada, permite a inspeção da carga que entra e sai do país e endurece as sanções ao sistema financeiro iraniano, entre outras medidas.
Porém, mesmo com as sanções da ONU, o governo americano quer que o seu Congresso aprove um outro pacote de punições a Teerã. Este pacote visaria, através de manobras no texto, evitar prejuízos para Rússia e China nos seus negócios com o Irã, mas atingir outros países, onde poderia se incluir o Brasil. O chanceler russo Sergei Lavrov afirmou que “os EUA não entendem que países sujeitos a sanções da ONU não devem enfrentar sanções unilaterais extra sob nenhuma hipótese”. Diante deste manifesto, houve uma certa protelação nessa votação em Washington. Porém, o texto da ONU, em Nova York, deve ir em frente. E o Irã já avisou que o acordo firmado com Brasil e Turquia é a última oportunidade para um acerto com a ONU. Com o que, se deduz, vamos ter um retrocesso na busca de um caminho negociado para esta grave questão.