De repente o processo de paz para o Oriente Médio recebeu uma sacudida esta semana. A ida do primeiro-ministro israelense Benyamin Netanyahu aos EUA esta semana mudou a situação. A primeira mudança se deu com o governo Obama, que vinha mantendo uma relação fria com Israel, mas que, por pressão do lobby judaico, acabou referendando a tradicional aliança entre os dois países. Ao mesmo tempo, Obama resolveu ligar para o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, pedindo-lhe que aceite retomar o diálogo com Israel. Diálogo que Netanyahu disse estar disposto a encarar. Tendo ainda defendido a existência de um Estado palestino desmilitarizado. Defesa esta que fez ao discursar no Council of Foreign Relations, em Nova York. Com os palestinos tendo apenas uma polícia para cuidar dos problemas internos. Algo que hoje praticamente já existe na Cisjordânia.
Tudo isto muito positivo. Só que, nem Obama nem Netanyahu falaram a respeito do problema maior e que é o entrave hoje para avançar nas negociações de paz: a ocupação israelense de áreas palestinas da Cisjordânia, inclusive em Jerusalém oriental. Ou seja, na prática, o processo de paz segue estancado.
MARCHA POR GILAD
O primeiro-ministro de Israel Benyamin Netanyahu está desde este sábado com mais um problema a resolver, além dos muitos outros que envolvem as relações entre israelenses e palestinos. Os pais do soldado Gilad Shalit, capturado há quatro anos pelos Hamas, iniciaram uma vigília na frente da casa do premiê, de onde disseram que só saem na companhia do filho. Eles chegaram ali depois de um marcha a pé de 200 quilômetros, feita em 12 dias, desde Mitzpeh Hila, na Galiléia, onde moram. A marcha teve a participação de 200 mil pessoas, que se solidarizaram com o sofrimento dos pais. Afinal, em Israel todos os jovens, homens e mulheres, são obrigados a prestar o serviço militar, consequentemente, todos os pais passam por angústia igual.
O objetivo dos pais de Gilad é forçar o governo a aceitar a troca do soldado por mil prisioneiros palestinos, conforme foi proposto pelo Hamas. O problema é que o governo israelense não quer libertar alguns dos nomes constantes da lista, por considerá-los de alta periculosidade. E toma por base o fato de, em ocasiões anteriores, prisioneiros que foram libertados voltaram a matar israelenses.
Este é o drama de Netanyahu: olhar para a lista que tem na mão e para o casal que acampa em frente a sua casa e ter que fazer uma escolha.