Enquanto a comunidade internacional, sob a liderança dos EUA, adota sanções econômicas contra o Irã por causa do seu programa nuclear, a Rússia anuncia a colocação em funcionamento da primeira usina atômica iraniana. Segundo a agência nuclear russa Rosatom, a usina iraniana Bushehr, construída por especialistas russos às margens do golfo Pérsico, começará a funcionar no próximo dia 21. A ligação da usina de 1.000 megawatts de potência acontecerá depois que especialistas russos e iranianos abastecerem a central com o combustível nuclear necessário, informou o escritório de imprensa da Rosatom.
O chefe da Rosatom, Serguei Kirienko, negou que a imposição de sanções tenha afetado a construção de Bushehr, ao explicar que as duas fases do ciclo nuclear da planta –ao enriquecimento de urânio e à reciclagem do combustível nuclear– acontecem em território russo. Com o beneplácito da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e apesar das críticas dos Estados Unidos, a Rússia forneceu durante os últimos anos ao Irã combustível nuclear com destino a Bushehr. A Rússia sempre garantiu que a parte iraniana deu garantias escritas adicionais de que o combustível será utilizado exclusivamente na central para a geração de eletricidade. Além disso, Moscou e Teerã assinaram no início de 2005 um protocolo adicional sobre a devolução à Rússia do combustível nuclear usado na central atômica.
O projeto da central no Golfo Pérsico foi iniciado pela alemã Siemens antes da revolução islâmica de 1979, e interrompido pouco depois do início da guerra Irã-Iraque em 1980. A Rússia retomou a obra, que inicialmente deveria ter sido concluída em 1999.
Bushehr deveria ter começado a funcionar em 2007, foi adiado para 2009 e, em novembro do ano passado, a Rússia anunciou que adiaria a inauguração até este ano, sem explicar os motivos, o que provocou descontentamento em Teerã.
Resta saber agora qual vai ser a reação dos EUA a este anúncio russo.