Quando iniciaram sua ação de caça ao teror no Afeganistão, os EUA tinham o respaldo da comunidade internacional e o apoio material e financeiro da maior parte dos países integrantes da ONU e da totalidade dos integrantes da OTAN. Tanto, que todos se cotizaram para arcar com os custos da guerra, tanto em termos de dinheiro como no que toca ao envio de soldados.
O problema todo, nunca é demais repetir, é que Bush, atendendo aos apelos de seus financiadores de campanha, deixou o Afeganistão de lado e foi atacar o Iraque. Contave, inclusive, que seus parceiros do Afeganistão fossem também dividir os custos gerais da ação iraquiana. Deu-se mal. Somente uns poucos, como a Grã-Bretanha, embarcaram na sua aventura. Mas hoje, até esta está mudando de atitude.
Bush teve o apoio incondicional de Tony Blair enquanto esse esteve no poder. Porém, agora, com Gordon Brown, a situação mudou. O novo primeiro-ministro britânico visitou Bush no início desta semana. Foi recebido com todas as regalias na residência de Camp David. No entanto, fez questão de mostrar distância.
Para começar, manteve-se de terno e gravata, para caracterizar a formalidade do encontro. Não saiu a passear com Bush em traje esporte pelos jardins da residência de verão, como fazem muitos visitantes, demonstrando intimidade com o presidente americano. Diferentemente de Blair, procurou demonstrar que não é amigo íntimo de Bush. Na avaliação de especialistas americanos, Brown demonstrou que quer relações estreitas com o país, mas não com Bush. Tanto, que está dando continuidade à retirada gradual das tropas britânicas da frente de batalha no Iraque. E, segundo esses mesmos especialistas, Brown também não apoiará o uso da força contra o Irã.