O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair foi escolhido como mediador para a questão entre israelenses e palestinos, mas não conseguiu colocar as partes frente à frente. Quem obteve este êxito foi a secretária de Estado Hilary Clinton, que esta semana levou a Washington não só as lideranças dos dois grupos, mas também os dirigentes de Egito e Jordânia, os dois países árabes que mantém relações com Israel. Talvez por ter ficado apagado no episódio, Blair resolveu fazer uma declaração que ganhou repercussão. Descreveu o radicalismo islâmico como a maior ameaça atual à segurança internacional. Em entrevista à BBC, Blair afirmou que os seguidores do radicalismo islâmico acreditam que tudo o que fazem em nome de sua causa é justificável, inclusive o uso de armas químicas, biológicas e nucleares. Ele não deixa de ter razão. Os grandes atentados no mundo em tempos recentes foram praticados por fundamentalistas islâmicos, a começar pelo 11 de setembro de 2001 em Washington e Nova York, passando depois pelos atentados aos metrôs de Londres e de Madri. Mas Blair se engana quando nega que suas próprias ações militares, enquanto ocupou o cargo de primeiro-ministro, tenham estimulado o apoio ao radicalismo. Ele esquece que foi o seu apoio à invasão do Iraque que levou os terroristas a praticaram o atentado ao metrô de Londres. Como também o mesmo apoio dado por Aznar na Espanha que levou ao ataque ao metrô de Madri. Ou seja, Blair continua sem ter uma visão de estadista.