Este comentário que eu vou fazer agora é uma repetição de outro que fiz em 22 de março de 2006. Ele dizia o seguinte:
A organização terrorista ETA – Pátria Basca e Liberdade, “Euskadi Ta Askatasuna” no idioma basco, anunciou neste domingo um cessar-fogo permanente. A primeira vista, parece uma notícia alvissareira. A ETA, criada em 1959, tem se destacado pelos atentados terroristas. Calcula-se que neste período de atuação, dita em nome da independência do país basco, tenha matado mais de 800 pessoas.
O chamado País Basco é uma região que envolve o sul da França e o norte da Espanha, na qual estão as províncias de Guipúzcoa, Vizcaya e Alava, envolve cerca de dois milhões e meio de pessoas. Ali estão cidades conhecidas como grandes centros financeiros e industriais como Santander e Bilbao. O governo espanhol já concedeu autonomia para a região, como fez também com Catalunha e Galícia. Mas não admite independência.
Através de um comunicado enviado à rádio e televisão basca, a organização separatista espanhola explica que o objetivo da decisão hoje anunciada é impulsionar o processo democrático no país basco, para construir um novo marco, no qual sejam reconhecidos os direitos do povo basco. E é aí que vem o ponto em que se questiona se a notícia é alvissareira. A ETA já anunciou cessar-fogo em outras ocasiões e sempre rompeu. O diferencial é que fala agora em cessar-fogo permanente, mas fala também em novo marco para o reconhecimento dos direitos do povo basco. Se isto implicar independência, o cessar-fogo não terá validade.
Repito este comentário porque tivemos neste domingo a emissão de mais um comunicado pela organização terrorista ETA, no qual anuncia cessar-fogo e assinala que não “vai mais realizar ações armadas”. No texto, enviado à rede britânica BBC e ao jornal basco Gara –meio utilizado habitualmente pelo grupo para divulgar comunicados–, a ETA não detalha o que define por ações armadas “ofensivas”, nem coloca prazo para o cessar-fogo. Este é o 11º anúncio de cessar-fogo do grupo terrorista. Ou seja, estamos diante de uma repetição de fatos anteriores. O que pode ser apontado como novo é o fato de o grupo estar muito debilitado, com seus principais líderes presos e com a capacidade de realizar ataques extremamente reduzida. Apesar disto, o anúncio é visto com ceticismo.