Acabam de sair mais dois relatórios contundentes sobre o Iraque. Indicam que 28% das crianças passam fome, 47% da população está abaixo da linha de pobreza, 15% não têm regularmente o que comer e 70% não dispõem de água potável. Há 4 milhões de pessoas que foram obrigadas a deixar seus domicílios. Sendo que 2 milhões buscaram refúgio nas partes menos convulcionadas do país e outros dois milhões deixaram o país para se refugiarem em países vizinhos, como Síria e Jordânia, onde estão criando problemas demográficos. Tudo isto, evidentemente, em decorrência da invasão liderada pelos EUA.
Estes dados constam de dois relatórios, um elaborado pela organização britânica Oxfam junto com uma coalizão de 280 ONGs iraquianas e internacionais. O outro, por Stuart Bowen, chefe dos investigadores encarregados pelos EUA de supervisionar a reconstrução do Iraque. Ambos denunciam a inompetência do governo iraquiano, apoiado pelos EUA e as conseqüências para a população iraquiana. Um aponta que há uma crise humana que envolve 8 milhões de iraquianos e o outro diz que a corrupção do governo iraquiano mina o desenvolvimento econômico do país.
Mesmo sem serem inéditos, esses números fornecem pela primeira vez um retrato do conjunto da crise enfrentada por um país em que a violência endêmica substituiu o regime deposto do ditador Saddam Hussein. Já durante esse regime a população viveu mais de uma década de embargo, o que afetou a produção e a distribuição de gêneros essenciais.
Segundo a Oxfam, 8 milhões, dos 27 e meio milhões de iraquianos, precisam de alguma ajuda de emergência. Entre eles estão os refugiados internos e externos. “Os serviços básicos, arruinados pela guerra e pelas sanções econômicas, não podem satisfazer a demanda”, diz Jeremy Hobbs, diretor da Oxfam Internacional. Ele inclusive fez um apelo para que entidades e instituições oficiais estrangeiras reforcem doações. O curioso nesse sentido é que a própria ajuda humanitária americana diminuiu sensivelmente. Corresponde hoje a um décimo do que era em 2004. Parece que o descrédito da população americana com o governo Bush e com a guerra se refletiu no volume da ajuda.
Mas há ainda um outro agravante, segundo o relatório: a corrupção. A constatação é de esta é generalizada, sendo o dinheiro desviado ou desperdiçado. Desvio de verba e superfaturamento, dois males endêmicos do serviço público, estão ali presentes. De 97 auditorias realizadas, 57 caminham para processos criminais.
Pode-se juntar ainda dados de outras organizações que fazem o levantamento do número de mortos no Iraque. Números assustadores, evidentemente. Só os EUA já perderam 3.500 soldados. O número de soldados americanos feridos chega a 30 mil. Estes são números fáceis de contar. Difícil é saber o número exato de civis iraquianos mortos. Para a organização independente sediada em Londres. Iraq Body Count, esse número varia de 60 mil a 65 mil. Já para o periódico médico Lancelot, que é editado pela Universidade John Hopkins, de Baltimore, Maryland, e que reúne dados levantados por pesquisadores americanos e iraquianos, esse número pode chegar a 600 mil.
Enfim, este é o Iraque de Hoje.