O Prêmio Nobel da Paz acabou saindo mesmo para o dissidente chinês Liu Xiaobo, que está preso desde o ano passado, condenado a 11 anos de prisão. Seu “crime” foi ter lido uma carta aberta contra falta de liberdades na China.Mas ele já tinha antecedentes que desagradavam o governo chinês. Participara da grande manifestação estudantil por liberdades, na Praça da Paz Celestial, em 1989. Ele foi o líder de uma greve de fome durante aquelas manifestações. Acabou passando 20 meses na prisão. Cumpriu a pena num campo de “reeducação pelo trabalho”, mas voltou à ação em dezembro de 2009, quando lançou a Carta 8, um manifestou pela liberdade de expressão, o fim do regime de partido único e a realização de eleições multipartidárias. Ou seja, afrontou o regime chinês. Fato que levou o vice-chanceler chinês Fu Ying, em visita a Oslo, a alertar o presidente da Academia do Nobel a não conceder o prêmio, sob pena de prejudicar as relações entre a China e a Noruega. Como na Noruega prevalece a democracia, não houve qualquer interferência do governo na decisão da Academia. E Além do mais, o dissente chinês teve algumas figuras de relevância a defender sua candidatura, como o bispo sul-africano Desmond Tutu, o líder tibetano Dalai Lama e o ex-presidente tcheco Vaclav Havel, todos ganhadores do Nobel da Paz.