A visita do presidente Lula a quatro países da América Central e mais o México tem como objetivo básico o tema energia. Com uma pequena diferença. Na Nicarágua, Honduras, Panamá e Jamaica vai tratar sobre o etanol. São países tradicionalmente produtores de cana de açúcar e, como tal, podem ser parceiros na produção do etanol, com a utilização, evidentemente, da tecnologia que o Brasil desenvolveu para o produto. No México, Lula vai tratar sobre petróleo. Mais especificamente, sobre a participação da Petrobrás na extração do produto no Golfo do México, tendo em vista que a empresa brasileira é a primeira em nível mundial na exploração de petróleo em águas profundas.
Todas essas ações atendem, é óbvio, objetivos brasileiros, Porém, tem no fundo também o interesse americano. É bom lembrar que em março Lula e Bush se encontraram duas vezes e acertaram a exploração conjunta do etanol, além do desenvolvimento de ações, especialmente pelo governo americano, no sentido de o produto passar a ser cada vez mais utilizado em nível internacional. Essa parceria já contemplava a produção de álcool, através da cana de açúcar, em países da América Central e da África.
Na esteira dessas ações de Lula na América Central, há um outro componente que interessa aos EUA: anular a influência de Hugo Chávez na região. Vejam que no itinerário está a Nicarágua de Daniel Ortega, um aliado de Chávez. Ora, com a produção de etanol, esses países se tornarão autosuficientes e não dependerão mais do petróleo de Chávez.
Quanto ao México, não se trata de um aliado de Chávez, mas sim de um vizinho problemático para os EUA. Especialmente, pela leva migratório que, diariamente, tenta transpor a fronteira, em busca de emprego no território americano. Em função disto, o governo estadunidense tem desenvolvido uma série de ações visando criar empregos no México, para que os mexicanos fiquem por lá. Assim já o foi com as zonas de exportações criadas em função do Nafta. E é oque se busca agora também com o melhor aproveitamento do petróleo. Com os crescentes recursos auferidos com o produto, o país terá condições de gerar mais empregos.
Como se vê, sutilmente, Lula está agindo em parceria com Bush.