Os atentados do norte do Iraque, que deixaram mais de 200 mortos, trouxeram à tona mais um componente religioso a complicar a situação do país. A comunidade yazidis, alvo dos ataques suicidas, era até pouco tempo atrás desconhecida. Os componentes étnico religiosos do Iraque se restringiam a xiitas, sunitas e curdos.
Em abril se teve as primeiras noticias dessa comunidade, quando uma gorata foi apedrejada por sua própria comunidade, por ter aderido ao islamismo. Poucos dias depois, 23 yazidis foram mortos a tiros dentro de um ônibus. E agora tivemos essa série de ataques com caminhões-bomba dirigidos por suicidas.
Todos esses episódios estão inseridos no contexto de fanatismo étnico religioso que domina a região. Os yazidis são adeptos de uma religião que prega culto a Malek Taus, o “Anjo Pavão”, tido por eles como um anjo do bem, mas por cristãos e muçulmanos como Lúcifer, ou seja, o anjo do mal. O culto mistura elementos de religiões pagãs, com zoroastrismo, cristianismo, islamismo e judaismo.
No Iraque eles estão concentrados na região de Mossul, perto das fronteiras coma Síria e o Irã. Mas, estima-se que o total de yazidis chegue perto de 500 mil, espalhados por áreas que envolvem também a Síria e o Irã e mais a Armênia, Turquia e Rússia.
Bem, se antes com xiitas, sunitas e curdos já estava muito difícil de se conseguir uma harmonização no Iraque, agora, com mais este componente, torna-se impossível se vislumbrar uma perspectiva de que o país possa sair do caos a que foi levado desde a invasão dos EUA, em março de 2003.