A capital russa passou a sentir, de várias formas, a guerra que o presidente Vladimir Putin deflagrou contra a Ucrânia. A forma mais impactante foi sentida nesta quarta-feira, quando drones ucranianos explodiram uma importante refinaria de petróleo. Não houve mortes, mas, um impacto muito grande no moral da população. Os quatro aeroportos foram fechados e centenas de voos cancelados.
A intenção do presidente ucraniano Volodimir Zelensky é fazer a população de Moscou sentir, pelo menos em parte, o que os ucranianos tem sentido com os ataques russos. Digo em parte, porque o estrago que as forças russas provocam na Ucrânia são muito mais graves, tanto em termos de vidas humanas como em bens materiais.
OBJETIVO
A Ucrânia está visando prioritariamente com seus bombardeios atingir a produção petrolífera russa, pilar dos ingressos financeiros. Diante das sanções impostas pelo Ocidente, a Rússia tem se mantido com o aumento das suas exportações de gás e petróleo, especialmente para a China. Com os constantes bombardeios que tem feito às refinarias, a Ucrânia está provocando uma queda significativa nas exportações russas.
Porém, não são somente as exportações que estão sendo afetadas. Também o mercado interno. Há problemas de fornecimento para 53 regiões russas. E para evitar um colapso, foi imposto limite para o fornecimento de petróleo e diesel em 18 províncias.
FREQUÊNCIA
Para conseguir estes resultados, a Ucrânia está realizando bombardeios, quase que diários, especificamente, contra os sistemas petrolíferos. Em especial contra a poderosa Gazprom. Com isto, se a população russa não sofre diretamente com os bombardeios, padece com a falta de combustível, o que, como se sabe, se reflete em todos os setores da vida dos cidadãos.
Estas ações concentradas estão fazendo a população russa se posicionar com relação à guerra, tendo em vista que até há pouco havia uma indiferença com o que estava acontecendo. Apenas uma minoria se manifestava. Agora os protestos tem aumentado. Afinal, quando uma refinaria pega fogo, não é apenas uma instalação que fica prejudicada. É toda uma cadeia de distribuição e fornecimento de um importante produto.
MUDANÇA
Quanto à Ucrânia, percebeu que se tornou mais importante atacar as fontes de combustível do que os tanques. Com isto conseguiu estabelecer uma crise dentro da própria Rússia, atingindo inclusive – e de forma intensa – a Criméia, que a Rússia tomou da Ucrânia em 2014. Ou seja, a guerra está sendo levada para dentro da Rússia, fazendo a população sentir consequências que até agora não percebia.
No que toca à Crimeia, a Ucrânia passou a desenvolver uma ação específica, visando destruir as rotas de acesso à província. Com isto está conseguindo minar o controle absoluto que o Kremlin havia estabelecido sobre a área.
DRONES
O que chama a atenção é a forma relativamente barata com que a Ucrânia passou a desenvolver seus ataques a Rússia. São utilizados, fundamentalmente, os drones, desenvolvidos pelos próprios ucranianos. Aliás, ao longo da guerra a Ucrânia foi aprimorando a sua produção bélica, a ponto de a Alemanha sentir a eficiência do sistema e ter se associado ao mesmo.
Esses drones têm conseguido atingir longas distâncias. Basta ver que Moscou está a 500 quilômetros da fronteira. Porém, os artefatos tem chegado a pontos até mil quilômetros dentro do território russo. E o grande diferencial do drone é que não é tripulado. Ou seja, é um ataque sem perdas de vidas humanas ucranianas.
MUDANÇA
Assim é que a guerra, que estava praticamente estagnada, – sem que a Rússia conseguisse avançar ou que a Ucrânia fizesse as forças atacantes recuar – ganha uma nova face. E a reação uraniana é saudada por toda a Europa, que nunca a abandonou. Sempre seguiu mandando recursos para a resistência. Afinal, há entre os europeus a convicção de que, se Putin conseguir tomar as províncias do leste ucraniano que pretende, não irá parar por ali. Vai seguir tomando outros países. Daí a importância de contê-lo. E a importância da estratégia dos drones contra as refinarias.