O diálogo foi estabelecido no Egito. Pelo menos esta é informação procedente do Cairo. O vice-presidente Omar Suleiman teria acertado com a oposição uma forma de realizar reformas na Constituição e para acabar com a Lei de Emergência que vigora desde 1981. Ou seja, desde o momento em que Mubarak assumiu o poder há 30 anos. Nunca se preocupou em trazer o país para a normalidade institucional. E aí deu no que deu.
Segundo os informes, o diálogo foi aceito pelas forças políticas de oposição, onde se destaca a Irmandade Muçulmana. As informações que eu tinha sobre essa organização eram de que se tratava da maior força política do país. No entanto, na conversa que tive neste sábado, através da Rádio Guaíba, com o embaixador do Brasil no Cairo, Cesário Melantônio Mello, este afirmou que a organização não tem mais do que 30% do eleitorado. O que significa que precisa compor também. Somando-se ao Partido Wafd (liberal) e ao Tagammou (esquerda), que fazem parte de um comitê escolhido por grupos defensores da democracia.
Até aí tudo bem. O fundamental é saber se os negociadores irão aceitar a condição imposta pelo governo: de negociar, mas de só fazer a transição em setembro, quando termina o mandato de Mubarak. Como a oposição queria a deposição imediata de Mubarak, uma das partes vai ter que ceder para o diálogo avançar.