O presidente venezuelano Hugo Chávez e o seu inspirador regime de Cuba estão mudando. Chávez é só no visual. Cortou curto o cabelo, em função do tratamento quimioterápico a que está se submetendo por causa do câncer. Não houve nenhuma mudança de postura política. Mas com Cuba houve. A propriedade privada, algo pecaminoso para os comunistas, foi restabelecida no país, depois de 50 anos de revolução. Com isto o governo visa minimizar o problema da escassez de moradia que assola o país.
A mudança está inserida no programa de reformas que Raúl Quadros vem tentando implementar, desde que assumiu o governo em 2008. Mudanças que passam por uma abertura maior da economia. O país já tem o exemplo de sucesso representado pela parceria com a iniciativa privada internacional para a exploração do turismo na ilha. Aliás, a grande fonte de renda do país hoje em dia. O sonho de todo cubano é trabalhar de garcón em Varadero, porque, além do seu salário – que na média é de US$ 15,00 – se ganhar um dólar de gorjeta por dia, terá faturado o dobro do seu salário. E esta gorjeta, para quem lá trabalha, é sempre muito maior do que o um dólar diário.
Os indicativos são de que Raúl Quadros está tentando ir implantando gradativamente no país um mercado livre, porque percebe que o velho modelo de economia centralizada está caduco. Desde abril o Parlamento cubano – que é formado só por representantes do PC ou por candidatos independentes aprovados pelo governo – discute um pacote de 313 medidas destinadas a promover uma mudança na economia do país. O objetivo, logicamente, deve ser buscar algo parecido com a China, que abriu sua economia para o mundo, mas manteve o controle político com o PC.