A semana começa sob o expectro da crise que atinge EUA e Europa, e que já se refletiu na baixa da nota norte-americana pelas agências reguladoras de risco. No que toca a Europa, o Banco Central Europeu anunciou neste domingo uma intervenção no mercado de bônus para proteger as economias da Itália e da Espanha, a terceira e a quarta maiores da região do euro. Quanto à Itália, em particular, o primeiro-ministro Silvio Berlusconi já havia anunciado na sexta-feira uma série de medidas, buscando acalmar o mercado global. Anúncio que se refletiu em São Paulo e Nova York, cujas bolsas fecharam em pequena alta. A dívida da Itália preocupa porque já atinge a 120% do PIB. E, por isto, os juros cobrados para financiar o país, em torno de 6%, são quase três vezes o que paga a Alemanha. E o mesmo juro que é cobrado da Itália também o é da Espanha. Há o temor de que os dois países dêem o calote, o que, somando-se ao baixo crescimento mundial, deixa o mercado financeiro nervoso. Para tentar controlar este nervosismo é que o Banco Central Europeu entrou em ação neste domingo. A resposta nesta segunda-feira não foi favorável. As bolsas da Europa fecharam em baixa.
A grande questão que se coloca é se esta crise será menor ou maior do que a de 2008. As perspectivas são sombrias. Tendo que captar dinheiro para pagar suas dívidas, e ainda a juros altos, e tendo que limitar as despesas à receita, os governos europeus não têm como investir. Ficam na expectativa da iniciativa privada. E esta, especialmente no que toca à indústria, se afasta cada vez mais. O alto preço da mão de obra faz com que as indústrias venham gradativamente abandonando a Europa e se deslocando para a Ásia. Consequentemente, é um setor de peso que se fasta, deixando de gerar empregos.
REAÇÃO ADVERSA
O mercado “derreteu” nesta segunda-feira. Exemplo maior a nossa Bovespa, que teve baixa de 8,8%. Nem o acordo conseguido por Obama nos EUA e nem o anúncio do Banco Central Europeu de que vai comprar títulos das dívidas da Itália e da Espanha, ajudaram a acalmar o mercado.
O fato é que um arsenal de medidas anticrise já foi gasto e até agora nada. E o pior é que medidas que foram tomadas para aplacar a crise de 2008 não poderão ser tomadas agora. Por exemplo: naquela ocasião, Obama injetou quase 800 bilhões de dólares na economia, em projetos de infraestrutura e programas sociais. Dinheiro que ajudou na recuração econômica. Agora, Obama não poderá dispor de dinheiro. Ele firmou um compromisso com o Congresso de enxugamento de despesas. Terá que cortar despesas da ordem de 2,1 trilhões de dólares num prazo de 10 anos.
A rigor, um cenário terrível pela frente. Mas Obama, em seu pronunciamento desta segunda-feira, disse que os EUA continuarão sendo AAA, pois honrarão seus compromissos. O que pode ser verdade, mas também pode ser contestado. Agora, algo que ele disse não tem contestatação. De que nos EUA estão as maiores universidades, as maiores empresas, os maiores pesquisadores e os maiores investidores. E que estes fatores farão a diferença para a recuepração do país. Convenhamos que, quanto a essas qualidades, não há o que contestar.