Pois, enquanto por aqui o governo vai conseguindo a renovação da CPMF, cujo percentual é de 0,38%, na vizinha Venezuela o presidente Hugo Chávez colocou em prática o seu equivalente à nossa CPMF, com um percentual de 1,5% sobre as transações financeiras. A cobrança entre em vigor a 1º de novembro e, como por aqui, é para ser provisória, vigorando apenas até 31 de dezembro deste ano.
A diferença com relação ao Brasil é que a CPMF venezuelana não atinge todos os cidadãos como aqui. Ela é voltada para empresas. Mas só as privadas. Não atinge as empresas do governo. Abarcará atividades financeiras e produtos como cheques, transferências de dinheiro, perdão de dívidas, entre outros. Quem também fica à margem da cobrança são os conselhos comunais, que servem como base para o projeto de socialismo do século XXI do presidente Chávez.
Também foi determinada uma elevação nos impostos sobre bebidas alcoólicas e cigarros, que deve entrar em vigor a 15 de novembro, sendo que esta não tem prazo para terminar. Como a Venezuela é o maior consumidor de whisky per cápita da América Latina, o governo espera faturar bem com a medida. Segundo as avaliações preliminares, a nova alíquota sobre cigarros e bebidas dará uma receita adicional ao governo de 500 bilhões de bolívares, o que equivale a 232 milhões de dólares. Já o imposto bancário proporcionará receita de 930 bilhões de bolívares, ou mais de 430 milhões de dólares.
A justificativa do governo para as cobranças é para combater a inflação, uma vez que “há muito dinheiro nas ruas”. A Venezuela tem uma inflação hoje de 15,3%, sendo a mais alta da América Latina. No entanto, para conter a inflação é muito mais lógico reduzir os gastos públicos. Mas estes só tem aumentado, para sustentar o socialismo do século XXI de Chávez.