O presidente venezuelano Hugo Chávez segue com suas bravatas, ameaçando agora transformar a Bolívia num Vietnã, caso Evo Morales seja deposto ou morto. A evocação ao vietnã vem das celebrações que fez, juntamente com Fidel Castro, neste domingo, dos 40 anos da morte de Che Guevara. Guevara falava em fazer muitos vietnames na América Latina.
Pois, Vietnã é uma amarga lembrança para os EUA, pela fracassada intervenção militar que tiveram lá. Mas, ao mesmo tempo, não serve de referência para os comunistas, porque, embora esses tenham vencido, hoje o país está aberto ao capitalismo internacional, experimentando um crescimento médio de 7% ao ano nos últimos anos. O Vietnã fez o mesmo que a China.
Mas a preocupação de Chávez com relação à Bolívia, prende-se ao fato de que, diferentemente do que houve na Venezuela, a oposição boliviana pode não aprovar a mudança constitucional que Morales quer fazer. Uma mudança, ressalte-se, nos mesmos moldes que Chávez promoveu na Venezuela e que lhe deram podres absolutos. Justamente, por perceberem o erro dos venezuelanos é que os bolivianos se negam a aprovar a reforma de Morales. E é por isto que Chávez vem com suas bravatas, como se ele tivesse o direito de determinar aos bolivianos o que devem fazer.
Ainda a propósito de Chávez, um de seus projetos mirabolantes para a América Latina acaba de ser indiretamente detonado. Falo do chamado Gasoduto do Sul, que é para ligar o Orinoco à Patagônia. Uma das questões cruciais que se colocava sobre o gasoduto era sobre suas reservas de produto. Neste sábado, Chávez inaugurou com o presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, um gasoduto, o Transguajiro, que leva gás da Colômbia para a Venezuela. Ora, se a Venezuela precisa buscar gás da Colômbia para se abastecer, como é que vai fornecer o produto para toda a América do Sul, como promete Chávez?