A crise estabelecida entre Colômbia e Equador está evidenciando mais uma vez e de maneira mais profunda, as diferenças entre os presidentes Hugo Chávez e Lula da Silva. Enquanto o líder venezuelano age como incendiário, o brasileiro atua como bombeiro. Lula tem mobilizado os demais dirigentes sul-americanos para tentar amenizar a crise. Enquanto que Chávez, que não tem nada a ver com o caso dos seus vizinhos, mobiliza tropas para a fronteira e expulsa diplomatas colombianos.
O caso vem reforçar o perigo que Chávez representa para a região. Mas toda essa sua encenação tem a ver também com os problemas internos que enfrenta. É sabido que ele tem o respaldo de boa parte da população, para a qual distribui o seu “bolsa família”. Mas há um grande contingente, representado pela classe média, que está descontente, porque há um inflação alta no país e o desabesticmento em certos setores. Então, diante disto, Chávez apela para um velha tática de ditadores: criar uma crise externa para obter o apoio interna.
Já quanto à guerrilha das Farc, esta está sendo encurralada. Já se sabe que a libertação incondicional de seis reféns, dita como um gesto de boa vontade, demonstrou um enfraquecimento da guerrilha. E o próprio episódio que resultou na morte de Raúl Reyes e mais 16 guerrilehiros comprova isto. Ocorre que a Colômbia, com o apoio logístico dos EUA, está fazendo um monitoramento da guerrilha. Estabeleceu-se o rastreamento eletrônico de comunicação. Assim, todas as comunicações por rádio ou por celular são detectadas. Como foi detectado o celular de Raúl Reyes.
O problema maior é que se vislumbra o enfraquecimento da guerrilha, porém, ao mesmo tempo, se estabelece uma maior dificuldade para a libertação dos reféns.