A crise estabelecida entre Brasil e Espanha, a partir da crescente obstrução à entrada de brasileiros em território espanhol, tem algumas razões específicas. Porém, injustificáveis diante do tipo de pessoa que tem sido detida. Ocorre que a Espanha vive a síndrome da imigração. Nos últimos anos tem crescido em 400% o número de pessoas que entram ilegalmente no país. O que, diga-se de passagem, não é o caso dos brasileiros. Os dois mais recentes deportados, Patrícia Rangel e Pedro Lima, são pesquisadores do Iuperj, o Instituto de Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e estavam apenas de passagem pela Espanha, rumo a Lisboa, onde participariam de um Congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política. Antes deles, uma mestranda em Física pela Usp, Patrícia Camargo Guimarães, de 23 anos, fora mandada de volta para o Brasil. Isto depois de ter passado três dias confinada em uma sala de 9 metros quadrados, na companhia de 30 brasileiros, além de outros latinos e africanos.
Então, estão mandando de volta gente qualificada e que não está entrando ilegalmente no país. Mas, como disse, a medida está inserida na síndrome da imigração. Depois que a Espanha passou a ter um grande crescimento, a partir da década de 1990, estabeleceu-se uma grande migração para o país. E aí, aquela história, estrangeiros trabalhando por baixos salários, aviltando o mercado de trabalho. Na decorrência, a xenofobia.
Transfira-se esse quadro para um período pré-eleitoral e o que se pode esperar? A Espanha tem eleição neste domingo. E o endurecimento faz parte da campanha. Agora, não se pode transformar proselitismo eleitoral em perseguição à comunidade um país, como está sendo feito com o Brasil. Embora se saiba que há brasileiros que queiram ficar por lá, não se justifica tamanha perseguição. Daí ser procedente a reciprocidade que passa a praticar o governo brasileiro com relação aos cidadãos espanhóis.