As comemorações do 1º de maio serviram para os governos radicais de esquerda da América do Sul ampliarem a participação do Estado na atividade econômica do país. Na Venezuela, Hugo Chávez confirmou a estatização da principal siderúgica do país, a Sidor, que é controlada pela argentina Techint e tem sócio minoritário a brasileira Usiminas. Como sempre acontece nessas ocasiões, o problema maior é acertar o valor da indenização. Especialmente, porque os governos autoritários costumam arbitrar uma valor, que está sempre muito abaixo do que pedem os donos da empresa que está sendo tomada. Não é diferente no presente caso. As informações são contraditórias, mas a Techint estaria pedindo um valor que varia de 3,2 bilhões a 4,8 bilhões de dólares, enquanto que Chávez quer pagar apenas 800 milhões de dólares.
Já na Bolívia, Evo Morales decretou a nacionalização da Entel, que é a maior empresa de telefonia do país e pertence à Telecom Itália. A empresa havia sido privatizada há 12 anos. Foi tomada agora sob a alegação de que se recusava a negociar. Morales também lançou a pata estatal sobre quatro empresas do setor de hidrocarbonetos. Dessas, apenas a hispano-argentina Repsol-YPF chegou a um acordo com o governo. Isto porque, faltava a compra de apenas 1,08% das ações da empresa para a YPFB se tornar majoritária. As demais foram engolidas.
Como se observa, Venezuela e Bolívia se firmam como países inconfiáveis para o empresariado internacional.