Mais de 85% dos “cruceños”, como são chamados os habitantes do departamento de Santa Cruz, na Bolívia, aprovaram o chamado Estatuto de Autonomia Departamental, que foi submetido a plebiscito neste domingo. Ato que foi realizado em desafio ao governo de Evo Morales e contrariando, inclusive a Corte Eleitoral. Santa Cruz tem uma área de 370 mil km quadrados, onde vivem 2,6 milhões de pessoas, ou seja, 26% do total do país, e é responsável por 30% do PIB nacional. É o departamento mais rico, sobretudo devido à atividade agroindustrial.
O presidente Evo Morales, da Bolívia, mobilizou até a Organização dos Estados Americanos esta semana para tentar evitar o plebiscito do departamento, denominação que corresponde à nossa de estado. Porém, seguindo o que já havia reafirmado para as autoridades de La Paz, o prefeito Ruben Costas, cuja função é a mesma de governador, manteve a realização da consulta popular.
Manteve num franco desafio ao governo central, como a forma que o estado encontrou de se contrapor à Constituição nacional que o presidente Evo Morales conseguiu aprovar. Aprovação esta sem a presença da oposição, numa assembléia que foi realizada à noite, em um quartel de Sucre. Ou seja, Morales impôs a sua Constituição ao país, com medidas que prejudicam estados produtores como Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija, os quatro que se rebelaram. O plebiscito que foi realizado em Santa Cruz foi aprovado para ser realizado também nos outros três estados. No início de junho, acontecerá em Pando e Beni. E A 22 de junho em Tarija, o estado do sul, que é rico em gás natural. O objetivo é estabelecer autonomia para o departamento em questões administativas, que envolvam recolhimento de impostos, propriedade de terra e educação.
O que se deduz disto tudo é que o presidente Evo Morales está colhendo o que plantou. Enfiou goela abaixo da população uma constituição, que, diz a oposição foi feita na Venezuela, e agora tem que enfrentar a desobediência civil.