Liberdade de imprensa é algo que está atrelado à democracia. Assim como a liberdade de opinião e o direito de ir e vir. Com a consolidação da democracia na América Latina, esperava-se que esses direitos estivessem assegurados por aqui. Mas não é o que se está vendo na Argentina. O autoritarismo dos tempos da ditadura militar parece estar de volta com o governo dos Kirchner.
O jornal “Clarin”, o mais vendido da Argentina, colocou em editorial que circulam pela internet e-mails com ameaças à diretora do diário, Ernestina Herrera de Noble e a seu presidente executivo, Héctor Magnetto. As mensagens ameaçadoras levam a assinatura do grupo La Cámpora, formado por jovens peronistas que apóiam o governo de Cristina Fernández de Kirchner. Entre os integrantes do grupo está o próprio filho dos Kirchner, Máximo.
Segundo o jornal, a ação acontece em um momento em que o governo formula reiteradas críticas contra esse diário e no contexto de uma política de hostilidade contra os meios de comunicação independentes. Na última semana, Buenos Aires foi tomada de cartazes contra o Clarin e o canal de notícias TN, do mesmo grupo. Cartazes colocados pelo La Cámpora e pelo grupo Juventude Peronista Evita. Ou seja, grupos formados por jovens radicais e que têm o apoio do governo.
Não foi sem razão que ontem a Sociedade Interamerica da Imprensa fez um apelo ao governo argentino, para baixar o nível de confrontação que mantém com meios de comunicação e jornalistas, que a estas alturas já está afetando profundamente a liberdade de imprensa e ameaçando mergulhar o país na violência. A razão de todo esse movimento contra o Clarin e outros periódicos argentinos está no simples motivo de que estão noticiando o descontentamento dos produtores rurais argentinos com o governo, devido à alta taxação imposta aos produtos exportados.
Assim, não é sem razão a advertência que faz à SIP à Cristina Kirchner: “Temos a convicção de que a Presidente saberá entender e tolerar o papel que cabe aos meios de comunicação em uma democracia”.
Isto é o mínimo que se pode esperar. Salvo se Cristina quiser seguir o mesmo caminho de Hugo Chávez. O que não é de duvidar.