Seguindo o que já havia ocorrido em Santa Cruz, as províncias bolivianas de Pando e Beni também aprovaram, em plebiscito, os seus estatutos de autonomia. Também como já ocorrera em Santa Cruz, vitória absoluta, com mais de 80% de aprovação, mas também com alta abstenção, de 30 a 40%. Os eleitores dos departamentos amazônicos foram às urnas neste domingo, mesmo contrariando a Corte Nacional Eleitoral.
Os estatutos autonômicos são a resposta dos governadores oposicionistas à Constituição aprovada em novembro do ano passado pelas forças governistas. A Carta, que ainda precisa passar por referendo, não foi reconhecida pela oposição. O impasse fez o país mais pobre da América do Sul mergulhar em grave crise institucional.
A proposta mais radical é a de Beni, cuja área de 213 mil km2, equivale a pouco mais que o estado do Paraná, mas abriga apenas 450 mil habitantes. Com a economia centrada na pecuária, o seu estatuto prevê que o governador tenha o poder, em decisão inapelável, de outorgar títulos de terras que passaram por vistoria estatal. Já o estatuto de Pando, que tem pouco mais de 60 mil habitantes, é mais brando e deixa ao governo federal a função de desapropriação, ficando o departamento com a incumbência de decidir se o latifúndio é produtivo ou não.
Para o governo de Evo Morales, a preservação do latifúndio é o motor dos estatutos autonômicos. E aí vem a questão crucial, que não está sendo entendida na Bolívia: o problema não é a existência do latifúndio. Ainda mais nos dias de hoje quando, com tecnologia se planta em largas extensões, como é feito nos EUA. O fundamental é definir se a área é produtiva ou não. Mas definir através de aspectos técnicos e sem caráter ideológico, o que é difícil de se conseguir na Bolívia.