Os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Álvaro Uribe, da Colômbia, que até há pouco vinham batendo de frente um com o outro, vão se reunir nesta sexta-feira na cidade venezuelano de Coro. E, pelo que estão informando as respectivas assessorias, o encontro será bem diferente dos anteriores, nos quais o tema predominante foram os reféns em poder das Farc. Aliás, neste assunto, depois da espetacular libertação de Ingrid Betancourt e de mais 14 reféns, Chávez perdeu o seu poder de negociador, que exerceu em ocasiões anteriores quando, por duas oportunidades, foram libertados reféns.
O tema agora, quem diria, será a cooperação bilateral. Projetos energéticos, de integração física – como uma ferrovia binacional – e de cooperação na fronteira comum de 2.200 km serão as prioridades da reunião, que poderá durar até quatro horas. Chávez está abrindo até a possibilidade de a estatal colombiana Ecopetrol explorar o petróleo na bacia do rio Orinoco, local da maior reserva petrolífera venezuelana. Como se observa, mudaram muito as relações entre os dois países. E mudaram porque Chávez mudou. Mudou a ponto de dizer que não há mais lugar para as Farc na América Latina. E a ponto também de se dar conta de que, ao invés de bater de frente com a Colômbia, deve é buscar o intercâmbio com o seu vizinho. Fazer como Brasil e Argentina que, depois de muitos anos de confrontação, se deram conta de que cooperando podem crescer junto.
Colômbia e Venezuela, segundo números oficiais, em 2007, tiveram um intercâmbio comercial que chegou a US$ 6 bilhões, enquanto apenas nos primeiros quatro meses deste ano a cifra chegou a US$ 2 bilhões. Assim, parece que Chávez finalmente se dá conta de que incrementar esse intercâmbio é muito mais importante do que ficar dando apoio a narcoterroristas que perambulam pelas florestas.