Por dois dias consecutivos o presidente francês Nicolas Sarkozy reuniu em Paris um elenco significativo de dirigentes mundiais. No domingo, promoveu uma reunião de cúpula em que lançou oficialmente a União pelo Mediterrâneo. Ontem, como anfitrião, recebeu dirigentes nas comemorações do 14 de julho, a data nacional da França.
Toda essa mobilização acontece no momento em que Sarkozy acaba de assumir a presidência da União Européia. Mas, aí é de se perguntar, assume a União Européia e vai tratar com outros países. Sim, vai, porque isto interessa à União Européia. É de países do Mediterrâneo que provém o maior número de imigrantes ilegais que chegam à Europa. Especialmente, do norte da África. Daí a necessidade de uma ação conjunta com esses países, visando empreendimentos que possam segurar essa população na sua origem. Para isto, nada melhor do que um plano de cooperação e desenvolvimento dos países do Mediterrâneo.
Mas Sarkozy não fica somente neste objetivo europeu. Vai mais longe em suas pretensões políticos. Dentre os dirigentes com os quais se reuniu por dois dias seguidos estava o ditador da Síria Bashir Al Assad, que tem sido rejeitado pela comunidade ocidental, em especial, os EUA. Na realidade, foi a primeira vez que um encontro fora da ONU reuniu em torno de uma mesma mesa países com velhas rivalidades como Grécia e Turquia ou Israel e Síria.
O que se percebe é que Sarkozy está buscando desempenhar um papel que historicamente era dos EUA. Só que, como os EUA estão debilitados pela guerra no Iraque e concentrando seu foco em questões nucleares do Irã e da Coréia do Norte, ficou um vazio que Sarkozy busca preencher. E, pelo que tem demonstrado, está fazendo com muita competência.