Os argentinos gostam de dar nomes de pessoas a movimentos políticos. Assim, tem-se o peronismo, com Perón, o menemismo, com Menem, e o kirchenismo, com os Kirchner, entre tantos outros. Pois este kirchenismo, que está no poder há cinco anos, sofreu uma grave derrota ontem à noite. Estava em votação no Senado o projeto que autorizava o governo a taxar em até 44% as exportações de produtos da agro-pecuária. Pressionados pelo governo ou recebendo benesses no famoso “toma lá, me dá cá”, muitos senadores, contrariando sua posição histórica, votaram contra os produtores rurais. Mesmo assim houve um empate na votação, 46 a 46 e o vice-presidente, Julio Cobos, não se sujeitou ao kirchenismo e votou de acordo com a sua consciência: contra o projeto.
Assim consumou-se uma derrota que o kirchenismo não esperava. Mas que chegou a tal resultado porque não soube administrar a crise. Deparava-se com o setor agropecuário, que é o principal responsável pelo crescimento do país. E, ao invés de buscar uma negociação, procurou dobrá-lo. Dimensionou mal os poderes em jogo e acabou sendo dobrado. Fragorosa derrota para o proselitismo kirchenista.