Em sua visita de surpresa ao Afeganistão, o candidato democrata à presidência dos EUA Barack Obama fez uma constatação de chefe de Estado. Ou seja, a de que é necessário uma mobilização urgente dos EUA e de seus aliados para salvar o governo afegão, sob pena de o Talibã retornar ao poder. Obama quer o envio de tropas agora, sem esperar por um novo governo, pois essa demora poderia ser letal. O que é a mais pura verdade.
O fato de os EUA deixarem incompleto o serviço no Afeganistão, deu margem à reestruturação do Talibã, o qual tem um objetivo básico: controlar a produção e o comércio do ópio, a matéria prima da heroína. A ONU calcula que a produção de ópio no Afeganistão em 2007 foi 57% superior à de 2006. Isto representa 3,1 bilhões de dólares, ou a metade do PIB do país. Por aí se pode perceber o interesse dos milicianos talibãs.
Nos últimos dois meses morreram mais militares americanos no Afeganistão do que no Iraque. A ONU calcula que este ano cerca de 1500 civis foram mortos em bombardeios americanos, 50% a mais do que no ano anterior. Essas mortes acabam gerando sentimento anti-americano e levam a população das montanhas a ajudar os talibãs.
É por isto que urge uma ação concentrada e imediata dos EUA, conforme defende Obama, o qual, diga-se de passagem, parece já agir, não como estando em campanha, mas como presidente americano