Barack Obama começou a montagem do seu gabinete com figuras experientes para compensar a sua falta de experiência. Seu chefe de gabinete será Rahm Emanuel, que foi assessor de Bill Clinton. Emanuel é amigo próximo de Obama e tem uma vivência como assessor de Clinton, líder no Congresso e estrategista político. Deputado desde 2002, mostrou na administração Clinton um estilo agressivo e instrumental na definição de questões de política interna como saúde, previdência e comércio.
Além da inexperiência, pesa sobre Obama a acusação de que não saberá lidar com as questões de política externa. Pois, os indicativos são de que o futuro presidente se cercará de muita gente experiente que trabalhou com Clinton. E, para surpresa de seus detratores, irá utilizar até republicanos em seu governo. Entre os nomes republicanos cogitados estão os senadores Chuck Hagel, que viajou com Obama no Iraque e no Afeganistão durante a campanha, e Dick Lugar, que combateu da Guerra do Vietnã e é um grande crítico do governo Bush. E, para surpresa geral, um integrante do governo Bush pode permanecer no cargo: o secretário da Defesa Robert Gates. Até porque, este assumiu o cargo para tentar desfazer tudo que de errado seus antecessores fizeram, especialmente, no que toca ao Iraque e ao Afeganistão.
Enfim, pelos primeiros movimentos, dá para perceber que Obama terá um gabinete experiente e bipartidário.
OBAMA REPETE LULA
Barack Obama foi eleito basicamente por jovens, mulheres, negros e hispânicos, segundo os levantamentos que foram feitos. A dedução lógica seria de que vai governar prioritariamente para esses segmentos. Mas não será. Campanha é uma coisa, governo é outra. Basta lembrar Lula aqui no Brasil. Obama tem que ter um cuidado muito especial para não dar razão àqueles que o chamam de inexperiente. Além disto, ele tem dois enormes problemas pela frente: a crise econômica e a guerra no Iraque. Ainda ontem, recebeu a informação de que em outubro houve o corte de 151 mil empregos no setor privado. Isto num país que já está sendo considerado tecnicamente em recessão.
ETANOL DO BRASIL
O presidente Lula, além de manifestar satisfação com a eleição de Barack Obama para a presidência dos EUA, disse esperar sinais concretos de mudança por parte daquele país nas relações com o Brasil. A propósito, fala-se muito por aqui que, para o Brasil, é melhor um governo republicano do que um democrata. Isto porque os democratas são muito mais protecionistas do que os republicanos. Pois nada melhor do que usar os dados concretos para se fazer uma comparação. Produtos que o Brasil vende para os EUA, como cítricos e aço, só para citar dois, tiveram uma taxação maior durante o governo Bush do que no governo Clinton. Então, esta questão é uma falácia.
E o governo democrata de Obama pode se tornar o caminho para a entrada no mercado americano do nosso etanol. Acontece que Obama já anunciou que pretende, em dez anos, reduzir pela metade a dependência americana do petróleo. Para isto vai investir em biocombustível. Os EUA produzem etanol a partir do milho, que é subsidiado. Fato que encarece um alimento importante no país. Na medida em que gastam mais com o seu etanol, os EUA bloqueiam a entrada do etanol brasileiro através da taxação. Pois Obama está acenando com a possibilidade de não só suspender o subsídio ao seu etanol do milho, como ainda levantar a taxa que incide sobre o etanol brasileiro.
Como se observa, poderá ser aquele grande novo momento que o presidente Lula está pedindo.
EQUIPE ECONÔMICA
Se o mercado estava esperando por indicações seguras quanto à equipe econômica de Barack Obama para reagir, isto já pode acontecer. Sempre procurando se contrapor aos que o acusavam de inexperiente, Obama está se cercando de gente de muita experiência e muito poder. Hoje, ele mantém em Chicago a primeira reunião com a sua equipe econômica, onde figura o milionário Warren Buffett. Aliás, este é o único que participará por teleconferência. Na mesa, em torno de Obama estarão outras 16 pessoas que integram uma equipe que mistura empresários de peso, pessoas ligadas ao mercado financeiro, ex-integrantes do governo Clinton e pessoal do meio acadêmico.
Um dos nomes mais esperados é o do secretário do Tesouro. É possível que Obama espere para anunciá-lo depois da reunião do G-20,que acontece no próximo dia 15, em Washington. Porém, cada vez mais se cogita o nome do ex-presidente do Federal Reserve, Paul Volcker.
Enfim, Obama que se cercar de gente que inspire confiança para este ente que hoje domina o mundo e que se chama mercado.