Da informação inicial de 157 mil, passou para 240 mil o número de desempregados em outubro nos EUA. A taxa de desemprego chega aos 6,5%, que é o maior índice desde 1994. Reverter essa situação é um dos desafios para Barack Obama. E ele só pode agir efetivamente a partir de 20 de janeiro. Até lá mais gente terá perdido seu emprego ou sua casa. Ou até ambos.
Como do limão se faz uma limonada, Obama já tem planos de fazer uso dos recursos governamentais para gerar o chamado “emprego verde”. Ou seja, aquele ligado às energias renováveis. A questão ecológica é hoje um ponto chave nos EUA, porque o país marcha na contramão do resto do mundo. O país deixou de lado o Protocolo de Kyoto, o qual estabelecia que os EUA deveriam cortar 7% de suas emissões de gás carbônico em relação aos níveis de 1990, até 2012. Nos últimos anos, no entanto, as emissões do país cresceram 14%. Assim, mesmo que haja um esforço concentrado, a redução em índice compatível com o de 1990 só poderá ser alcançado em 2020.
Obama prometeu que em 10 anos reduziria pela metade a dependência do petróleo do Oriente Médio. Não será fácil. Vai ter que bater de frente com lobbies poderosos. Como o do carvão, por exemplo, o mais sujo dos combustíveis fósseis e que há oito anos vem ditando as regras nos EUA. Obama vai tentar combatê-lo com a proposta do “New Deal verde”, que consiste em inverter 150 bilhões de dólares, nos próximos dez anos, na criação de 5 milhões de empregos na área de energia limpa. O país deve investir na energia eólica, que até agora era deficitária, e na geração de uma malha elétrica “inteligente”.
ENCONTRO BUSH OBAMA
George Bush e Barack Obama tem hoje na Casa Branca o seu primeiro encontro pós-eleição. Bush tem se manifestado disposto a facilitar a transição, no entanto, existem algumas questões que Bush ainda pretende implantar antes de concluir o seu mandato, que não estão em consonância com o que pensa Obama. O que significa que, apesar do encontro para facilitar a transição, é possível que Obama tenha que anular decretos de Bush, tão logo assuma o governo a 20 de janeiro.
Dois temas estão em destaque. Um deles, diz respeito à decisão de Bush de ordenar a prospecção de petróleo e gás numa área de 145 mil hectares no estado de Utah. Ambientalistas tem dito que o projeto é um erro. E como Obama está embasando o seu projeto de recuperação do país no que chama de “New Deal verde”, vai fechar com os ambientalistas e suspender o projeto.
Outro assunto que contrapõe Obama a Bush, refere-se às células-tronco. Obama quer reforçar o financiamento público das pesquisas com células-tronco. Esses financiamentos haviam sido reduzidos durante o governo Bush devido a pressões religiosas. Algo injustificável para uma pesquisa que pode ajudar até a encontrar a cura para doenças como o Mal de Alzheimer.
Como se observa, Obama não quer retrocessos nem na área ambiental, nem na área científica.
APROXIMAÇÃO COM MOSCOU
Já na área de política externa, a maior mudança que se vislumbra da política de Bush para a de Obama, diz respeito ao escudo antimísseis, planejado para ser instalado na República Tcheca e na Polônia. Aliás, um tema que colocou em rota de colisão os EUA com a Rússia, recriando um clima do período da Guerra Fria. A Rússia, inclusive, ameaçou retaliar, colocando mísseis em um encrave, na região de Kalinigrado, perto da Polônia. Moscou sempre viu a medida como uma ameaça e um fator de desequilíbrio geopolítico na região.
Pois, sinalizando uma distensão com a Rússia, o assessor de Obama, Denis McDonough, declarou que o presidente eleito não está comprometido com o escudo. Aliás, Obama já conversou por telefone, no sábado, com o presidente russo Dmitri Medvedev, acertando um encontro para breve.