George Bush recebeu Barack Obama ontem na Casa Branca e prometeu uma transição suave. Termo que contrasta com a turbulência que se abate sobre o governo americano. Algo que está requerendo uma ação urgente. E essa ação está sendo desenvolvida por uma equipe da área das finanças que tem à frente o presidente do Federal Ben Bernanke. Como este trabalho não pode sofrer solução de continuidade, tudo indica que, mesmo com a posse de Obama, Bernanke deverá continuar à frente do Banco Central americano. Algo como aconteceu aqui no Brasil com Henrique Meirelles, quando Lula assumiu. Afinal, trata-se de um momento extremamente delicado para as finanças e para a economia e de um assunto extremamente técnico. Assim, tudo está a indicar uma continuação nesse trabalho. A não ser que os resultados apresentados até a posse de Obama não sejam convicentes. Mas esta é uma hipótese pouco provável.
Curioso é que em meio a essa quase necessidade premente da continuação de Ben Bernanke no cargo, especula-se também outras duas figuras de proa do governo Bush também poderão continuar sob Obama. São elas, Michael Mullen, diretor da Junta de Chefes do Estado-Maior, grupo que reúne os chefes das Forças Armadas americanas, e Robert S. Mueller 3º, diretor do FBI e figura central da política de combate ao terror de Bush. A confirmar-se isto, já teremos choque com o que foi pregado por Obama. Sua política de combate ao terror, pelo menos a que foi anunciada, difere profundamente da que é praticada por Bush. Como tal, requer outras lideranças, tanto na área militar como no FBI. Sob pena de Obama está fechando com um governo que fracassou nessa área.
AJUDA ÀS MONTADORAS
Não houve nenhuma divulgação sobre o teor da conversa que tiveram ontem na Casa Branca o presidente George Bush e o seu sucessor eleito Barack Obama. A não ser a manifestação de Bush de que haveria uma transição suave. O termo suave é algo que não soa bem neste momento de turbulência da economia americana, onde as três grandes montadoras – Ford, GM e Chrysler – estão à beira da falência. Pois, segundo conseguiu apurar o jornal “The New York Times”, Obama teria pedido a Bush que encaminhasse alguma forma de ajuda à indústria automobilística. Sabe-se que cresce sobre elas a ameaça de concordata, tendo em vista que as reservas em caixa estão se esgotando e o mercado comprador está cada vez mais reduzido.
O governo americano já saiu em auxílio aos bancos. Mas condicionou essa ajuda ao controle dessas instituições pelo Federal Reserva, onde se inclui a indicação de diretores dos bancos. A indústria automobilística é um símbolo dos EUA e responsável por milhares de empregos. Sua quebra seria um desastre. Porém, não tem a controlá-la uma instituição como o Federal Reserve. E, será que uma vez recuperadas, essas instituições irão devolver o dinheiro que o governo emprestou?
A indagação fica no ar.
AÇÕES DE BASTIDORES
Embora nada tenha sido divulgado sobre o teor da conversa que tiveram ontem na Casa Branca George Bush e Barack Obama, pouco a pouco vão surgindo especulações sobre o que foi abordado. Afinal, foram duas horas de conversa entre duas pessoas que tem pensamentos diferentes sobre o modo de conduzir o governo. Em função disto, a informação concreta é de que está sendo travado um intenso jogo nos bastidores. Bush querendo aproveitar os 71 dias que lhe restam de governo para aprovar novas regulamentações e Obama tentando evitá-las ou se municiando de dados para anulá-las tão pronto assuma o poder.
Nos EUA o governo usa a Ordem Executiva, que equivale à nossa Medida Provisória. Só neste anho, Bush assinou 22 ordens, a maior parte delas ligadas às questões de liberdades civis e meio-ambiante. Aliás, duas áreas que perderam muito durante o governo Bush.
No entanto, se Bush e Obama divergem sobre uma série de coisas, precisam convergir sobre a questão econômica, pois esta é a mais urgente de todas. Em outubro 240 mil americanos perderam seu emprego. Ontem, a Circuit City, a segunda maior rede de eletroeletrônicos do país, pediu concordata. As três gigantes do automobilismo estão à beira da falência. Então, mais do que divergir sobre temas genéricos, Bush e Obama precisam convergir sobre economia, sob pena de o país afundar ainda mais na crise e tornar o governo de Obama inviável.