Uma das grandes pretensões da Turquia é passar a fazer parte da União Européia. Para com isto passar a gozar dos programas de incentivo da comunidade, que ajudaram a transformar Portugal, Espanha e a sua vizinha Grécia em países de primeiro mundo. Os três que eram os párias da comunidade. Todavia, não está nada fácil para alcançar esse objetivo. Simplesmente porque a Turquia é muito diferenciada dos demais europeus. Começa que o país já está dividido, sendo que menos do que uma quarta parte da sua área territorial está em solo europeu. A maior parte situa-se na Ásia. A cultura turca, com marcada influência dos tempos do Império Turco Otomano, nada tem a ver com a européia. E, como se não bastasse. Há ainda o entrave da religião. Embora a Turquia se identifique como um país laico, a religião muçulmana é preponderante.
Pois este aspecto religião está presente nos protestos que sacudiram a Turquia neste final de semana. Setecentas mil pessoas saíram às ruas de Istambul, para protestar pelo fato de o governo estar planejando a constituição de um estado islâmico. Hora, no atual contexto planejar uma mudança nesse sentido é o mesmo que dar um tiro na pretensão européia do país.
Preservação da laicidade do Estado turco é defendida pelo Judiciário e pelas Forças Armadas, que alertaram em comunicado o risco da islamização do país. Este risco está sendo representado pela candidatura à presidência de Abdullah Gül, do partido muçulmano AKP, ao qual pertence também o primeiro-ministro Tasyyip Erdogan.
A sucessão presidencial na Turquia se dá no Parlamento, onde, no primeiro turno, Gül já conseguiu 357 dos 550 votos. Apenas dez a menos do que o necessário para se eleger. A crítica maior tem pesado contra o primeiro-ministro Erdogan que deveria ter indicado para o cargo um representante de um partido laico e não Gür, muçulmano, que era seu ministro de Relações Exteriores. A definição sobre o novo presidente pode sair nesta quarta-feira com o segundo turno eleitoral, ou ficar para o dia 9, num eventual terceiro turno.