É por demais significativo o acordo estabelecido entre as facções rivais para governar a Irlanda do Norte, província britânica que ganha autonomia limitada. Quem não se lembra dos recentes acontecimentos da Irlanda, em que crianças católicas ficaram impedidas de irem às aulas em Belfast, porque tinham que cruzar por um bairro protestante, onde sofriam ameaças as mais diversas. E quem não se lembra dos atentados praticados pelo IRA, o temível Exército Republicano Irlandês. Tudo isto, reflexo de uma luta político-religiosa entre católicos e protestantes. E acontecendo em plena Europa dita civilizada.
O foco da questão estava no fato de os protestantes, que são maioria na Irlanda do Norte, que quererem a manutenção da região como parte do Reino Unido, enquanto que os católicos queriam a reunificação da ilha, ou seja, que a Irlanda do Norte fizesse parte da Irlanda, que é uma república de predominância católica. A raiz dos acontecimentos está no fato de a Inglaterra, ao ter cedido a independência para a Irlanda, em 1932, ter conservado para si os seis condados que formam a Irlanda do Norte. O surgimento do IRA, o Exército Republicano Irlandês, deu conotações de luta armada. Engajou-se nesta justa luta pela reunificação, mas extrapolou os limites ao apelar para o terror.
Em 10 de abril de 98, depois de mais de meio século de luta armada, foi assinado o chamado Acordo da Sexta-Feira Santa, estabelecendo a deposição das armas e um governo de coalizão para a Irlanda do Norte. O governo se instalara, mas as armas nunca foram depostas. A última tentativa de formar um governo de coalizão ocorreu em 2002. Fracassou após acusações de espionagem por parte do IRA. Em dezembro do ano passado o IRA anunciou a sua renúncia à luta armada. Foi quando, finalmente, surgiu a chance de um governo unificado na Irlanda do Norte, o qual acaba de assumir.