O protecionismo que ressurgiu no mundo em função da presente crise já está se refletindo no Mercosul. Mais especificamente, nas relações entre os dois principais parceiros do bloco, Brasil e Argentina. O vizinho país acaba de adotar medidas que atingem, pelo menos, 10% dos produtos importados do Brasil. A resolução, publicada ontem pelo Ministério da Produção, passa a exigir licenças não-automáticas para 35 grupos de produtos, onde se incluem tratores, ceifadeiras e móveis. Isto significa que as licenças de importação que deveriam ser liberadas em até 60 dias, segundo as normas vigentes de comércio, deverão levar muito mais tempo, se forem concedidas.
E, em meio à crise, vem a divergência. Em nota, a UIA (União Industrial Argentina) afirmou que o Brasil faz “reclamações injustas”, pois “traz nas costas uma história de mais de 30 anos de proteção da produção, junto com financiamento a taxas subsidiadas por parte de seu BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], inclusive para compra de empresas argentinas”.
Como se observa, o nosso Mercosul, que já não ia muito bem das pernas, sofre mais uma rasteira.