Bastou Tony Blair anunciar a data de sua saída do governo britânico para que o seu futuro sucessor se manifestasse, queimando a atual política externa. O ministro das Finanças Gordon Brown ainda não teve a indicação do Partido Trabalhista para a sucessão, mas já está convicto de que a terá. Tanto que já partiu para o ataque à política de Blair para o Iraque.
Na realidade, a política de Blair para o Iraque foi um desastre total. Apoiou Bush incondicionalmente quando todo o mundo percebia que a justificativa para atacar o Iraque não se sustentava. E, por isto, Brown quer reverter a situação. Ao se anunciar oficialmente como postulante ao cargo de primeiro-ministro, Brown reconheceu que foram cometidos erros no Iraque que precisam ser corrigidos. Assim, ao invés de privilegiar a ação militar, disse que pretende trabalhar na reconstrução do Iraque e no apoio ao desenvolvimento econômico e à reconciliação. Ou seja, como disse, quer desenvolver “uma batalha para conquistar o coração e as mentes” dos iraquianos.
Inquestionavelmente, o caminho é por aí. O problema é que o estrago produzido pela ação de Bush e seus comparsas foi tão grande que, por mais boa intenção que tenha o futuro governante britânico, não será tarefa fácil reverter a situação. Brown terá que permanecer, como Blair, uns dez anos no cargo para alcançar algum resultado no Iraque.