Mais um policial foi executado ontem na Irlanda do Norte. É a terceira morte em três dias. No sábado, dois soldados britânicos foram alvo de atentado. A autoria das mortes foi assumida pelo IRA Autêntico, o grupo que resolveu manter a ação terrorista depois que o IRA, o Exército Republicano Irlandês, abandonou a luta armada, em 1998. Os atentados colocam em perigo a paz e o governo de coalizão, formado em 2007 por católicos e protestantes.
Aliás, a histórica disputa na região se dá tendo à frente grupos religiosos. E tudo tem origem em 1932, quando a ilha da Irlanda, de população predominantemente católica, resolveu se independizar da Inglaterra. O governo de Londres resolveu conceder a independência, mas apenas para 26 dos 32 condados que compunham a Irlanda. Conservou a posse sobre seis deles, que passaram a constituir a Irlanda do Norte, onde a Inglaterra povoou com protestantes. Foi a partir daí que começou a disputa, com os católicos da Irlanda do Norte querendo a anexação da área à Irlanda e os protestantes querendo a manutenção do vínculo com a Inglaterra. Foi aí também que surgiu o IRA, braço armado do Sinn Féin, o partido dos católicos. Desde então, mais de 3500 pessoas já morreram nos confrontos entre as duas facções.
Em 1998, as duas facções chegaram ao chamado Acordo da Sexta-feira Santa, quando o IRA concordou em entragar as armas. Em maio de 2007, dois adversários históricos –o líder do Partido Unionista Democrático (DUP, sigla em inglês), Ian Paisley, e o líder do católico Sinn Féin, Martin McGuinness– dividiram o poder na Irlanda do Norte, como primeiro-ministro e vice-primeiro-ministro, respectivamente, após o fim de cinco anos de governo direto britânico. Tudo parecia seguir em paz, até ressurgir agora o chamado IRA Autêntico, que estava adormecido desde 1998.