No encontro que manteve com o presidente Barack Obama sábado, na Casa Branca, o presidente Lula não intercedeu por Cuba ou Venezuela, conforme se especulava. Ao ser indagado pelos repórteres sobre o porque, disse que não tinha procuração para tal. Mas levou um assunto latino-americano importante para o debate: o do narcotráfico. Lula comunicou a Obama que a Unasul, União das Nações Sul-Americanas, deve oficializar a formação de um conselho para o combate ao narcotráfico, semelhante ao que recém foi criado para a área da defesa. A idéia, segundo Lula, surgiu de uma conversa com o presidente da Colômbia Álvaro Uribe. Ou seja, na conversa com Obama, Lula não mencionou Chávez, nem Castro e nem Morales, mas sim o desafeto deles, Álvaro Uribe. E, ao comunicar a criação do organismo, ressaltou que é para “não ficar dependendo da ingerência de ninguém numa coisa que nós temos de resolver pelas próprias mãos”. E Lula ainda aproveitou para dar um cutucada no anfitrião: “Os outros que cuidem de tomar conta dos consumidores”.
Pelo que consta, foi o único tema latino discutido. O restante, envolveu diretamente as relações entre Brasil e EUA. Mas nada resultou de concreto. Nem mesmo o abrandamento nas taxas para a entrada do etanol brasileiro no mercado americano. O fundamental, porém, é que foi aberto o caminho para o entendimento. E o fato de Lula ser o terceiro líder a ser recebido na Casa Branca se constitui numa deferência especial para o Brasil.