(Artigo publicado no Correio do Povo de domingo, 05/04/2009)
O presidente Obama celebrou como histórica a reunião do G-20 realizada quinta-feira em Londres e que resultou na destinação de 5 trilhões de dólares em estímulos fiscais a serem distribuidos até 2010. Além disto, o G-20 concordou em usar recursos adicionais de vendas de ouro do FMI para financiar os países mais pobres e constituir um programa adicional de 1,1 trilhão de dólares para a recuperação do crédito, do crescimento e do emprego na economia mundial. A grande questão que fica é se este esquema irá funcionar. Iremos ter mesmo uma nova ordem econômica internacional? Sabe-se que a maior parte do dinheiro prometido não existe. O presidente Obama ainda precisa da aprovação no Congresso de um boa parcela. Vamos ter até a ressuscitação dos Direitos Especiais de Saque, moeda muito usada nas transações do FMI na década de 1970, mas agora praticamente em desuso.
Uma coisa é certa, um feito da reunião foi os líderes terem superado suas divergências. Além de todo esse dinheiro, houve um consenso entre os participantes do encontro sobre como conduzir o processo de recuperação econômica. Isto porque havia divergências de enfoques, colocando de um lado EUA e Reino Unido e de outro França e Alemanha. No foco estavam os paraísos fiscais, que receberão uma maior fiscalização.E esta tarefa caberá à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento, que deverá publicar a lista dos locais que são considerados não cooperativos. Também resultou positivo o fato de estabelecerem o compromisso de “não levantar novas barreiras para o investimento ou o comércio de bens e serviços, não impor novas restrições ao comércio e não criar novos subsídios às exportações”.
Porém, em meio ao que resultou do encontro, desponta a declaração do presidente Lula dizendo que o Brasil, que está com reservas de 200 bilhões de dólares, pode empresar dinheiro ao FMI. Quem diria! Pouco tempo atrás o nosso país vivia pedindo dinheiro ao fundo. Vê-se que, em meio à crise, são novos e melhores tempos para nós brasileiros. E o presidente Lula chegou a ser chamado de “o Cara” pelo presidente Obama. No entanto, não se pode esquecer que, para enfrentar a crise, o presidente Lula diminiu verbas para saúde e meio ambiente, entre outros setores. Para o Ministério do Meio Ambiente a redução foi de 43%, o que torna mais difícil para o governo manter as ações de combate ao desmatamento da Amazônia e atingir as metas de corte de emissões a que se comprometeu no Plano Nacional de Mudanças Climáticas. Todavia, Lula pode ter feito este corte confiando no viria acontecer na reunião do G-20. Pois ali foi acertada a aplicação de 10 a 15 bilhões de dólares ao ano para preservar florestas tropicais.
Enfim, as cartas do novo jogo estão dadas e a primeira resposta do mercado foi positiva com a alta das bolsas pelo mundo afora. E o que se espera é que se confirme a afirmação do presidente Obama de que essa foi uma reunião histórica. Que seja histórica para a recuperação e a moralização das finanças e da economia no mundo.