As atenções nesta semana se voltam para a Cúpula das Américas, evento que se realizará sexta-feira e sábado em Trinidad e Tobago, reunindo os líderes das 34 nações do continente, sendo Cuba a única exeção. Exeção física, mas presença constante nos debates. Já se sabe, por exemplo, que o presidente Obama deve anunciar no encontro a liberação de viagens anuais de cubano-americanos à ilha, bem como o envio de dinheiro.
Todavia, o grande objetivo de Cuba é conseguir o levantamento das sanções econômicas impostas pelos EUA à ilha em 1962. Mas, a julgar pelo que consta do texto básico do encontro, isto não irá acontecer. O rascunho do texto, liberado pelo governo americano, diz o seguinte: “Todas as nossas aspirações e metas para as Américas dependem de democracias fortes, boa governança, vigência da lei e respeito aos direitos humanos e liberdades fundamentais”. De todas essas palavras pode-se, quem sabe, questionar o que seja “boa governança”. Se existe ou não na ilha. Todavia, partindo do princípio de que ali não há liberdade democrática, não há o direito e ir e vir. Não há a liberdade de expressão e nem tampouco o respeito aos direitos humanos, não se pode falar em boa governança.
Assim é que a ilha dos Castro segue à margem dos acontecimentos no continente americano.
CÚPULA DA ALBA
O presidente venezuelano Hugo Chávez resolveu convocar uma reunião da Alba, a Alternativa Bolivariana das Américas, para uma tomada de posição conjunta com vistas à Cúpula das Américas, que se realiza neste próximo fim de semana em Trinidad e Tobago. Participam da esquerdista Alba, além da Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua e Dominicana. Equador e Paraguai devem participar como convidados. Todos esses países são beneficiários do petróleo a preço de banana, fornecido pela Petrocaribe, uma subsidiária da PDVSA, a Petróleo de Venezuela Sociedade Anônima.
Na esteira do petróleo a 150 dólares o barril, Chávez distribuiu beneses para os seus parceiros, que recebiam o produto a preço subsidiado. No entanto, com o preço do petróleo no mercado internacional baixando para cerca de 40 dólares, a fonte secou. Chávez teve que anunciar a suspensão de refinarias que pretendia construir no Equador e na Nicarágua. Da mesma forma, estão a perigo as obras de duas refinarias em Cuba, uma em Cienfuegos e outra em Santiago.
Assim, é sob o espectro de estar murchando o sonho bolivariano que o grupo de Chávez vai para a Cúpula das Américas.
GREVE DE MORALES
O presidente da Bolívia Evo Morales completou quatro dias de greve de fome e já tomou uma decisão: não vai participar da Cúpula das Américas, que se realiza no próximo final de semana em Trinidad e Tobago. Tampouco participará da reunião do grupo da Alba, a Alternativa Bolivariana das Américas, convocada por Hugo Chávez, para uma tomada de posição conjunta com vistas à cúpula americana.
Morales está em greve de fome por estar contrariado pelo fato de o Congresso ainda não ter definido as normas para as eleições marcadas para 6 de dezembro, de acordo com a Constituição que ele recém conseguiu aprovar. A relutância dos deputados de oposição é justamente por não concordarem com a nova Carta.
Greve de fome não é novidade para Morales. Em seus tempos de sindicalista ele fez muitas. Seu recorde é 18 dias de abstinência. Como se observa, ainda tem bastante tempo para bater a sua marca.