Ao longo da segunda metade do século XX alguns grupos terroristas se destacaram na Europa. Os principais eram o IRA, sediado na Irlanda, mas que estendia suas ações para a Inglaterra, as Brigadas Vermelhas na Itália, o grupo Baader-Meinhof na Alemanha e o ETA na Espanha. O fim do comunismo no leste europeu fez desaparecer as Brigadas Vermelhas e o Baader-Meinhof. O alto crescimento econômico da Irlanda e a diminuição do radicalismo fizeram com que o IRA anunciasse este ano a deposição das armas. Seu braço político passou a compartilhar o governo do país. No entanto, o ETA – Pátria Basca e Liberdade, insiste em seguir no caminho do terror.
A organização terrorista já havia anunciado, em março do ano passado, um cessar-fogo permanente. A primeira vista, parecia uma notícia alvissareira. A ETA, criada em 1959, tem se destacado pelos atentados terroristas. Calcula-se que neste período de atuação, dita em nome da independência do país basco, tenha matado mais de 800 pessoas. Seu ato mais destacado ocorreu em 1973, num atentado que vitimou o então primeiro-ministro franquista Carrero Blanco. O carro em que ele transitava foi parar sobre a marquise de um prédio. O chamado País Basco é uma região que envolve o sul da França e o norte da Espanha, na qual estão as províncias de Guipúzcoa, Vizcaya e Alava, envolver cerca de dois milhões e meio de pessoas. Ali estão cidades conhecidas como grandes centros financeiros e industriais como Santander e Bilbao. O governo espanhol já concedeu autonomia para a região, como fez também com Catalunha, Andaluzia e Galícia. Mas não admite independência.
Através de um comunicado enviado à rádio e televisão basca, em março do ano passado, a organização separatista espanhola explicou que o objetivo da decisão então anunciada era de impulsionar o processo democrático no país basco, para construir um novo marco, no qual sejam reconhecidos os direitos do povo basco. E é aí que vem o ponto em que se questiona se a notícia é alvissareira. A ETA já anunciara cessar-fogo em outras ocasiões e sempre rompera. O diferencial naquela ocasião era que fala em cessar-fogo permanente, mas falava também em novo marco para o reconhecimento dos direitos do povo basco. Esses direitos, na sua concepção, significam independência. O que não é aceito pelo governo espanhol.
Assim, não tardou o rompimento da trégua. Em 30 de dezembro último, um atentado da ETA matou duas pessoas no aeroporto de Barajas, em Madri. Mesmo assim, o primeiro-ministro José Luiz Zapatero continuou tentando chegar a um acordo com o grupo. Suavizou as críticas frente às bravatas do líder do partido basco Batasuna, Arnaldo Otegi. Aliviou as pressões sobre o líder basco que está preso Juan Ignácio de Juana Chãos e abriu a porta que o partido que expressa a ETA, a Ação Nacionalista Basca, entrasse para a vida política regular.
A diferença do que aconteceu em dezembro no aeroporto de Barajas e o que acontece agora, é que a ETA anuncia que a trégua terminou. Com o que, Zapatero vê frustrada sua iniciativa política e pode sofrer ainda o revés de novos atentados por parte da ETA.