Vinte dias antes de findar o prazo dado pelo governo dos EUA, o Irã apresentou uma proposta de debate sobre o seu programa nuclear. O presidente Barack Obama, que busca uma reaproximação com o regime de Teerã, havia proposto uma diálogo com o governo iraniano e dado prazo até o final de setembro. Nesta sexta-feira, Teerã comunicou sua disposição de dialogar ao chamado grupo P5 + 1, que é formado pelas cinco potências nucleares mais a Alemanha. Mas rejeitou suspender o enriquecimento de urânio. O chefe da diplomacia européia Javier Solana, mediador das conversas, fez o anúncio oficial e saudou a iniciativa.
EUA e Irã estão de relações cortadas desde 1980, devido à invasão da embaixada americana em Teerã, logo depois da vitória da Revolução Fundamentalista no país. Porém, desde que Obama assumiu, vem tentando uma reaproximação. A qual havia se tornado mais difícil nos últimos dias devido à vitória de Mahmoud Ahmadinejad nas eleições presidenciais e as acusações de fraude. No entanto, a Casa Branca tratou logo de referendar a aceitação da atual proposta de negociação. Mesmo diante da contestação de seu maior aliado na região, Israel, que quer a paralisação total do programa nuclear iraniano. Acontece que o Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear e, como tal, tem direito a desenvolver um programa nuclear para fins pacíficos, desde que supervisionado pela Agência Internacional de Energia Atômica. Os EUA tem interesse na reaproximação com o Irã porque sabem que o país pode ter papel decisivo para as tentativas de estabilização do Iraque e do Afeganistão. Sem contar que pode ajudar também na questão do Líbano. Daí a boa vontade de Obama para com o regime dos aiatolás, apesar dos protestos de Israel.