A Comissão de Direitos Humanos da ONU acaba de emitir um relatório sobre o conflito ocorrido na Faixa de Gaza entre 27 de dezembro de 2008 e 18 de janeiro de 2009, e que envolveu israelenses e palestinos do Hamas. O relatório se baseou em 188 entrevistas e a revisão de mais de 10 mil documentos. E foi rejeitado pelas duas partes em conflito. O que não é novidade. Ali naquela região ninguém se sente culpado de nada, embora todos sejam culpados por tudo. Todos os que decidem, é preciso ressaltar, porque dos dois lados tem boa parte da população que propugna por uma convivência pacífica, mas as lideranças não alcançam este objetivo.
O relatório da ONU culpou os dois lados pelo conflito, dizendo que ambos os lados cometeram crimes de guerra. Os palestinos pelo lançamento de seus mísseis contra cidades israelenses, o que deu motivo para a ação de Israel, e os israelenses pelos ataques indiscriminados, que mataram crianças, velhos e mulheres. Enfim, civis. O total de palestinos mortos chegou a 1400 e houve a destruição quase que total da Faixa de Gaza. Foram atingidos, inclusive, prédios da ONU na região. A chancelaria israelense declarou-se “chocada e desapontada” com o texto. No entanto, para qualquer observador leigo, tornou-se muito claro o uso desproporcional da força por parte de Israel naquele conflito.