O ex-primeiro-ministro de Israel Ehud Barak está ressurgindo no cenário político do país. Ao se tornar o vencedor das eleições primárias do Partido Trabalhista, Barak se habilita a voltar à chefia do governo se o seu partido for o vitorioso nas próximas eleições.
Barak foi uma figura marcante da política israelense na década de 90. Impulsionado pelo processo de paz defendido pelo então presidente dos EUA Bill Clinton, ele conseguiu grandes avanços nas negociações com o então presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat. Nunca o processo de paz entre israelenses e palestinos avançou tanto como naquela ocasião. Os palestinos já haviam conquistado a autonomia sobre diversas cidades da Cisjordânia e se negociava até a entrega para eles da parte oriental de Jerusalém, desde que isto significasse o reconhecimento mútuo e a convivência pacífica.
Mas, o que aconteceu foi que Arafat quis ir longe demais. Forçou muito e a corda arrebentou. Barak passou a ser criticado pelos radicais pelas concessões que estava fazendo. Nesse meio tempo Clinton deixou o governo americano e assumiu o radical George Bush. Barak não suportou as pressões e seu governo acabou caindo.
De lá para cá, só o que se teve foi o aumento do radicalismo. Assim foi com Netanihau, com Sharom e agora com Olmert. Do lado palestino, então, nem se fala. Não só aumentaram as ações contra Israel, como surgiu um conflito interno. Hoje, integrantes do Fatah e do Hamas se matam pelas ruas de Gaza.
Assim é que o ressurgimento de Barak pode até trazer uma outra visão israelense sobre o cenário da região, se, porventura, ele voltar ao governo. Mas, com essa divisão entre os palestinos, isto de nada adiantará.