A ONU – Organização das Nações Unidas, está completando neste sábado, 24, 64 anos. O organismo, que luta pela paz mundial, tem sido criticado pelo que muitos consideram sua inoperância. No entanto, se o mundo tem problemas com a ONU, teria muito mais sem ela. Um grande estadista, Franklin Roosevelt, viu que a ONU era o único meio de evitar a repetição dos 60 milhões de mortos da Segunda Guerra. Acertou, pois se apenas 20 anos separaram as duas guerras mortais do século 20, já se passaram 64 anos da última sem novo conflito mundial. Conseguiu-se superar a Guerra Fria, o terror atômico, o apartheid e a descolonização.
O fato de a Agência Internacional de Energia Atômica ter sido distinguida com o Prêmio Nobel da Paz 2005, tem alguns significados bem específicos. Em primeiro lugar, é um reconhecimento ao árduo trabalho que esse organismo vem realizando nos últimos anos, sob a liderança do egípcio Ali Al Baradei. A Agência vem se empenhando a fundo no sentido de controlar as armas atômicas que existem no mundo, buscar diminuir a sua quantidade e, acima de tudo, procurar dissuadir os novos pretendentes ao clube nuclear.
A tarefa da agência intensificou-se depois do fim da Guerra Fria e a conseqüente desestruturação da União Soviética, fato que deixou muito armamento nuclear sem controle e sob o perigo de cair em mãos de grupos radicais. Muito desse armamento a agência conseguiu recuperar e catalogar. Tem sido decisiva também a ação da agência em países como Irã e Coréia do Norte, que trabalham com o enriquecimento do urânio, dito para fins pacíficos, mas que, se sabe, tem objetivos bélicos. Em ambos a agência conseguiu êxito no seu trabalho.
Mas a ONU tem muito ainda que fazer: erradicar a miséria e a doença, impedir o genocídio, promover a obediência aos direitos humanos, reduzir a desigualdade e a fome e deter a destruição do meio-ambiente, são metas a ser alcançadas. E como muito já foi conseguido, fica a esperança de sucesso também nessas metas da organização.
Agora, o mundo se depara com uma alta generalizada nos preços dos alimentos. E a organização saiu para a linha de frente, com vistas a combater a fome no mundo. Um grande desafio, mas, seguramente, algo mais fácil de administrar do que a guerra. O secretário-geral Ban Ki-moon conclamou a comunidade mundial a doar 2,5 bilhões de dólares para um fundo destinado a levar alimentos para as nações mais pobres. É um primeiro e importante passo. Só que insuficiente. Como disse a diretora da organização humanitária Oxfam International, Celine Charveriat, não basta ajudar as nações pobres dando-lhes comida. É preciso ajudá-las na plantação. Porém, mais do que isto, é preciso acabar com as distorções no comércio mundial. Por distorções se entende os subsídios que a Europa e os EUA concedem para os seus agricultores.
A propósito, o jornal inglês Financial Times, publicou uma matéria ressaltando que o Brasil sozinho poderia resolver a fome do mundo, fornecendo alimentos a preços acessíveis. Desde que acabassem os tais subsídios fornecidos pelos países ricos a seus agricultores. Convencer os países desenvolvidos a mudar essa prática é o grande desafio que se estabelece para a ONU, mas para ser tratado no âmbito da Organização Mundial do Comércio. É hora de o organismo mostrar que, se não resolve as questões das guerras, pode resolver o problema da fome.