Para desespero das “viúvas” de George Bush, o presidente americano Barack Obama está conquistando alguns pontos significativos neste período de menos de um ano de governo. Um destes pontos se dá na economia, que acaba de fechar o último trimestre com um crescimento de 3,5%, caracterizando o fim da recessão no país. É claro que ainda existe o desemprego em grau muito elevado para os padrões americanos, mas o fundamental é o registro da recuperação que começa a acontecer. Vale lembrar que, para evitar uma quebradeira maior no auge da crise, Obama contrariou os preceitos tradicionais do capitalismo e injetou dinheiro público nos bancos para salvá-los da bancarrota.
Outro ponto da campanha de Bush que começa a se estruturar é a reforma do sistema de saúde. Por incrível que pareça, grande parte dos cidadãos da maior potência capitalista do mundo não tem acesso aos serviços essenciais de saúde. O novo projeto de Obama para a saúde já passou pelas comissões de saúde das duas casas do Congresso e deverá ser levado brevemente ao plenário, onde é tida como certa a sua aprovação.
Em andamento também as negociações com o Irã, com vistas a manter sob controle o programa nuclear daquele país. Se dependesse de Bush, os EUA já teriam jogado uma bomba sobre as usinas iranianas. E, como consequência, criariam mais uma guerra interminável, tipo Iraque ou Afeganistão. Obama usou o diálogo para solucionar o problema. Está avançando. O governo de Teerã reconheceu que, pela primeira vez, o Ocidente busca uma solução na mesa de negociação. Já ficou acertado preliminarmente que o urânio do Irã será levado para a França e para a Rússia, para ser enriquecido na quantidade necessária para a geração de energia. E insuficiente para a produção da bomba. Faltam apenas pequenos detalhes para fechar o o acordo.
Bush havia criado uma nova Guerra Fria coma Rússia ao elaborar os seus sistemas de radares e anti-mísseis a serem colocados na Polônia e na República Tcheca. Obama reformulou os sistemas, que serão instalados de modo a tranquilizar os russos e, ao mesmo tempo, manter a segurança dos aliados europeus. Assim, restabeleceu a cooperação com a Rússia, que é vital em questões que envolvam, por exemplo, Irã, Coréia do Norte e China.
Na crise de Honduras, Obama havia ficado de fora, pois por aqui pela região tem-se o costume de criticar os EUA pela ingerência nos assuntos regionais. Só que, o tempo foi passando e os dirigentes e organismos regionais não conseguiam solucionar o problema. Até que Obama resolveu agir. Simplesmente, usou o poder que o seu país ainda exerce na América Latina. No caso de Honduras, dois terços das exportações do país vão para o mercado americano. E mais, um contingente enorme de hondurenhos que mora nos EUA manda mensalmente para Honduras dinheiro que soma uma boa parte do PIB do país. Então, bastava fechar a fronteira para sufocar o governo do golpista Roberto Micheletti. Resultado: o acordo entre Zelaya e Micheletti, que estava travado desde 26 de junho.
Mas Obama ainda tem duas guerras como heranças malditas de Bush. Guerras que consomem soldados americanos, cuja chegada de corpos aos EUA havia sido proibida de divulgar pela imprensa, por ordem de Bush. Obama foi a Dover, na quinta-feira, receber os corpos dos soldados mortos, de formas a mostrar a realidade da guerra para os cidadãos americanos. Esses irão influenciar na decisão de mandar ou não mais soldados para o Afeganistão, conforme pede o comandante das tropas da Otan naquele país.
Em suma, são novos tempos para os EUA e para o mundo com Obama à frente da Casa Branca.