Depois de ter conseguido impor um acordo em Honduras, entre o presidente deposto Manuel Zelaya e o presidente golpista Roberto Micheletti, o governo dos EUA trata agora de vigiar o cumprimento do pacto. Para isto, está mandando para Honduras a secretária do Trabalho Hilda Solis. Ela é nascida na Califórnia, mas filha de uma nicaraguense e de um mexicano, portanto, de origem latina, o que pode ser um elemento facilitador para sua ação. Hilda Solis irá formar com o ex-presidente chileno Ricardo Lagos a Comissão de Verificação, que terá a supervisão da OEA. Os outros dois membros são indicados por Zelaya e por Micheletti.
A comissão já se depara com um impasse na interpretação do acordo. Zelaya entende que foi estabelecida esta quinta-feira como a data limite para a votação pelo Congresso sobre o seu retorno ao governo. Micheletti afirma que o acordo não estabelece prazo. O que transparece é que o ponto cinco do acordo, que condiciona a volta de Zelaya à aprovação pelo Congresso, não especifica um prazo para a votação. Porém, o cronograma traçado menciona quinta-feira como último dia para “conformação e instalação do governo de unidade e reconciliação nacional”.
Quanto à votação no Congresso, Zelaya se mostra otimista. Espera contar com o apoio de parte dos deputados do Partido Liberal, do qual, ironicamente, ele e Micheletti fazem parte, e também do Partido Nacional, de Porfírio Lobo, que é apontado como o favorito para as eleições do dia 29. Segundo o jornal espanhol “El País”, o enviado americano a Honduras, Thomas Shannon, teria acertado com Lobo o apoio de sua bancada ao retorno de Zelaya, em troca do apoio dos EUA a seu futuro governo. Ou seja, qualquer solução passa pela influência dos EUA.