Hoje é dia lembrar um dos fatos mais significativos do século XX: a queda do Muro de Berlim. Marco físico do término da Guerra Fria e de um regime que se propunha a distribuir a igualdade, mas que mergulhou meio mundo no atraso e na opressão. A queda do Muro, a reunificação da Alemanha e o fim das ditaduras comunistas no Leste europeu, antecederam o término da União Soviética, o que viria a ocorrer dois anos mais tarde. Porém, todas essas mudanças são decorrência das ascensão de Mikhail Gorbatchev ao comando da então União Soviética.
Até hoje ainda não foi dado o devido valor aos movimentos da glasnost e da perestroika, abertura e transparência, que ele introduziu no ultrafechado Kremlin. Foi graças ao fato de ele ter aliviado a opressão que o Pacto de Varsóvia exercia sobre os satélites de Moscou, que foi possível a fuga de 225 mil alemães orientais antes da queda do Muro. Saíram pelas fronteiras da Polônia e da então Tchecoslováquia, levando ao colapso a indústria e os serviços estatais, segundo conta Moniz Bandeira, em seu livro “A Reunificação da Alemanha – do ideal socialista ao socialismo real”. E tudo se concretizou graças também à queda, em outubro, de Erich Honecker, o secretário-geral do PC alemão oriental, que se recusava a fazer as reformas no modelo de abertura proposto por Gorbatchev.
Gorbatchev acabou sendo tragado pela reforma que pregou, porém, o resultado da mesma foi o fim de um regime retrógrado e opressor e o fortalecimento de uma integração que se reflete hoje nos 27 países que integram a União Européia. Além, evidentemente, do fim da corrida nuclear e da confrontação Leste-Oeste.