E a crise de Honduras? Não se houve falar mais. O deposto Manuel Zelaya segue instalado na embaixada do Brasil e já estamos a apenas 20 dias da data da posse do presidente eleito Rodolfo Lobo. Ontem chegou ao país o subsecretário de Estado dos EUA para o Hemisfério Ocidental, Craig Kelly. Não houve um pronunciamento oficial sobre o que foi tratado, mas especula-se que tenha ido pressionar o atual presidente Roberto Micheletti a renunciar antes da posse de Lobo. Micheletti, por sua vez, diz que o seu mandato vai até 27 de janeiro. E, pelo que se observa, vai conseguir chegar até lá, sem que Zelaya volte ao posto, mesmo que de forma simbólica.
O fato novo que surgiu em Honduras é a manifestação do Ministério Público que pediu nesta quarta-feira à Suprema Corte do país que emita uma ordem de prisão contra a cúpula das Forças Armadas por ter expulsado do país, em 28 de junho de 2009, o presidente deposto Manuel Zelaya. A junta de comandantes será acusada por crimes de abuso de autoridade e de expatriação por ter expulso Zelaya para a Costa Rica. Isto porque, a deportação dos hondurenhos é proibida pela Constituição. “O requerimento foi apresentado porque as leis de Honduras proíbem a expatriação de nacionais, e a ordem que os militares receberam foi de prendê-lo e apresentá-lo aos tribunais”, disse a chefe dos promotores, Danelia Ferrera.
Na realidade, foi esta extrapolação das Forças Armadas que melou todo o processo em Honduras. Zelaya já estava deposto pelo Congresso e pelo Judiciário. Caberia às Forças Armadas apenas prendê-lo para que fosse levado a julgamento. Mas o que fizeram foi extraditá-lo. Ou seja, violaram a Constituição e criaram condições para que nenhum país apoiasse o processo deflagrado em Honduras.