As imagens do Haiti são impressionantes. É destruição e feridos por toda a parte. O número de mortos, seguramente, será elevado. No que toca ao Brasil já se tem a informação de 14 militares mortos e da médica comunitária Zilda Arns, que trabalhava no combate à desnutrição no país. O prédio da embaixada do Brasil foi atingido mas, felizmente, não houve vítimas. O embaixador estava no Brasil. Assim com também estava aqui em nosso meio, na cidade de Arroio do Tigre, o professor Ricardo Seitenfus, que é o representante do escritório da OEA no Haiti. Aliás, diante da catástrofe, Seitenfus interrompeu suas férias e retornou para o Haiti.
Para o Haiti fica a destruição. Uma catástrofe para o país mais pobre da América Latina e que nos últimos tempos enfrentou dois furacões. Um em 2004 e outro em 2008. É algo impressionante, parece que miséria e catástrofe caminham lado a lado.
E se antes a comunidade internacional não havia levantado os olhos para o Haiti, hoje, mais do que nunca, é hora de fazê-lo.
AUMENTO
Como era de se prever, a cada hora que passa vamos tendo informações cada vez mais dolorosas da tragédia do Haiti. O número de brasileiros mortos já chega a 15. Porém, o premiê Jean-Max Bellerive, afirmou à TV americana CNN acreditar que os mortos “estejam além dos 100 mil”. Não é de se duvidar. Basta olhar as imagens de Porto Príncipe para se dimensionar a tragédia. A cidade tem cerca de 3 milhões de habitantes. Ficou toda destruída. Não se vê um prédio inteiro. Tudo é escombro. E por baixo desses escombros, logicamente, deve haver milhares de vítimas.
Urge, portanto, o socorro. E o Brasil se tornou o primeiro país a providenciar e enviar recursos de emergência. Comida, roupas e remédios. O próprio ministro da Defesa Nelson Jobim resolveu ir pessoalmente ao Haiti para comandar a ajuda brasileira. Um gesto engrandecedor, diga-se de passagem. O problema maior do país, no entanto, está nesses próximos dias. Muitos corpos perecerão em meio aos escombros. Ficarão insepultos. Faltará água no país onde o calor é escaldante. Ou seja, tem-se o quadro para uma epidemia. É a triste realidade do país mais pobre das Américas.
HISTÓRIA
Que perspectivas podem se oferecer para o Haiti depois deste terremoto? Esta é a indagação que se faz com relação ao país mais miserável da América Latina. Desenvolvimento o Haiti só experimentou no século 18, quando produzia 60% do café consumido no mundo e 40% do açúcar importado por França e Inglaterra. Mas isso se deu ao tempo em que era colônia da França e sua população era de 80% de escravos. Evidentemente, escravos que se constituíam na mão-de-obra para essa extraordinária produção.
E foi a revolução dos escravos que fez o Haiti se tornar o primeiro país das Américas, depois dos EUA, a conseguir sua independência. Só que, na revolta, mil propriedades rurais foram destruídas. E isto pesou decisivamente para a história do país. Mais do que os 12 mil mortos da revolução.
Embora independente, o país nunca mais teve crescimento, atravessando os séculos 19 e 20 com ditaduras que se alternavam no poder e raros governos democráticos. Só o que cresceu foi a miséria e a desigualdade, incrementadas por disputas políticas e desastres naturais. Em 2004 e 2008, o país foi atingido por furacões. E agora este devastador terremoto, que deixa a indagação sobre o que será desse país daqui pra frente.