Com o país mergulhado numa crise energética e de abastecimento de gêneros, o presidente Hugo Chávez segue manobrando para ampliar os seus poderes. E trata de aprovar tudo com o atual Congresso, onde detém maioria absoluta, porque sabe que após as eleições legislativas de setembro esta situação pode mudar. Chávez ficou com a maioria absoluta no Congresso porque a oposição cometeu a asneira de boicotar a eleição. Agora, se dando conta do erro, está arregimentando forças para tentar acabar com a maioria chavista na próxima eleição. Mas, enquanto isto, Chávez vai avançando. Agora está tratando até de fazer uma reorganização política no país, criando 10 territórios federais por cima dos 23 estados atuais e do distrito Federal.
Tudo isto é manobra para Chávez diminuir as remessas federais de recursos para estados e municípios, passando a mandar para os conselhos comunais que, logicamente, são nomeados por ele. Tanto, que ele está desativando o antigo fundo que destinava verba para estados e municípios e criando o Fundo de Compensação Interritorial, que ficará a cargo de um organismo que chefiado pelo vice-presidente da república. É sempre bom lembrar que o vice é nomeado para Chávez.
Quanto à crise energética, Chávez recebeu a visita do assessor do presidente Lula para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, o qual acertou o envio de técnicos brasileiros à Venezuela para ajudar a sanar o problema. O governo brasileiro deve enviar na próxima semana uma missão técnica de alto nível, para tentar amenizar a grave crise energética que atravessa a Venezuela. Ao mesmo tempo, Chávez acaba de criar um fundo de 1 bilhão de dólares para a mesma tarefa.
Que o governo brasileiro ajude a Venezuela, tudo bem! Mas bem que poderia aproveitar a oportunidade para cobrar de Chávez mais respeito às liberdades de imprensa no país.