Evo Morales tenta colocar em prática suas promessas feitas quando se candidatou à presidência da Bolívia, ou seja, de nacionalizar os recursos minerais do país. Apesar de ter a segunda maior reserva de gás da América do Sul, a Bolívia é uma das nações mais pobres da região. Mas isto não se deve ao fato de o gás estar atualmente em mãos de empresas privadas. Até uma década atrás estava nas mãos do Estado. E seus recursos não foram usados para minorar a miséria do povo boliviano.
Boa parte do gás boliviano está hoje nas mãos da Petrobrás, empresa que investiu naquele país um bilhão e meio de dólares. A Petrobrás comprou, em 1999, duas refinarias, em estado caótico, uma em Cochabamba e outra em Santa Cruz, por 100 milhões de dólares. Renovou-as, implantou tecnologia e passou a abastecer 90% do mercado interno de derivados de petróleo. Agora, Evo Morales desapropria as refinarias e quer pagar apenas 60 milhões de dólares por elas. Inconcebível.
Seja como for, Morales vai ter que levar em conta o que a Petrobrás e o Brasil representam para a Bolívia. Não só pelos investimentos de um bilhão em meio de dólares que a estatal brasileira já fez na Bolívia, mas, principalmente, porque dois terços das exportações de gás da Bolívia se destinam ao Brasil, assim como 33% da receita tributária boliviana é originada pelas atividades da Petrobrás. É verdade que o Brasil se tornou dependente do gás boliviano. Mas essa dependência pode ser revertida em curto espaço de tempo, com o aproveitamento de fontes locais e a busca de novos fornecedores. Já a Bolívia, que não tem saída para o mar, para onde irá mandar esse gás que vem pelos condutos que chegam ao Brasil?
Como se vê, é só o governo Lula endurecer que Morales não terá saída.